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Insolvência da Rio Forte dita maior queda de sempre da PT

As acções da Portugal Telecom (PT) vivem, esta segunda-feira, a maior desvalorização de sempre na bolsa de Lisboa penalizadas, segundo os analistas, pela perspectiva de que a empresa vai recuperar pouco do investimento feito na Rio Forte.

Sara Matos/Negócios
Paulo Moutinho | Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 20 de Outubro de 2014 às 13:03
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Esta é uma "segunda-feira negra" para as acções da PT SGPS. Os títulos seguem a desvalorizar 19,11% para os 0,982 euros, depois de terem já chegado a afundar 28,75% para o valor mais baixo de sempre nos 0,865 euros. A esta cotação, a empresa apresenta um valor de mercado de 848,1 milhões de euros. A perspectiva de uma menor recuperação de dívida da Rio Forte, depois da insolvência anunciada na sexta-feira, explica esta forte queda.

 

"Os investidores temem que a PT venha a recuperar uma percentagem muito reduzida do investimento [de cerca de 900 milhões de euros] que fez na Rio Forte. À cotação de sexta-feira, estava assumido que a empresa iria recuperar cerca de 35% deste investimento, agora os investidores estão a descontar uma recuperação de cerca de 10%", explicou ao Negócios um analista da empresa que não quis ser identificado.

 

Este especialista considera que estas preocupações cresceram depois de, na sexta-feira passada, o Tribunal do Luxemburgo ter rejeitado o pedido de gestão controlada da Rio Forte. A venda da Espírito Santo Saúde à Fidelidade, que rendeu 244 milhões de euros, e a alienação da Espírito Santo Viagens à suíça Springwater, cujo valor da transacção não foi revelado, não foram suficientes para que a Rio Forte obtivesse o aval de Luxemburgo para avançar para a gestão controlada, um regime que iria protegê-la de acções judiciais dos credores.

 

Esta é uma posição partilhada por Francisco Veiga. "A decisão de indeferir o pedido de gestão controlada da Rio Forte está a levar a que os investidores reconheçam uma menor capacidade de recuperação da dívida por parte da PT SGPS, o que diminui o número de acções que esta poderá conseguir na empresa resultante da fusão da PT com a Oi", frisa o operador da Orey Financial.

 

Isto acontece porque "a PT SGPS é uma empresa que o que tem como activo é na realidade um passivo, uma opção de compra de parte do capital da empresa resultante da fusão. Com a insolvência da Rio Forte pode não conseguir comprar grande posição", sublinha o mesmo especialista.

 

"A mensagem que esta cotação transmite é que os investidores duvidam da capacidade de recuperação deste investimento", adianta o mesmo especialista que não quis ser identificado. "Há algum pânico e incerteza em torno desta companhia", resume.

Desde que foi conhecido o investimento em papel comercial da Rio Forte, a 26 de Junho, a empresa acumula uma quebra de 70%. Estas preocupações estão "a pesar nos títulos e vão continuar a pesar. Isto a menos que surja alguém que lance uma OPA sobre estas acções", conclui Francisco Veiga.

 

"A PT cotada em bolsa não tem nada a ver com a MEO e a actividade em Portugal"

 

Pedro Lino acredita que as acções estão a ser "castigadas" pela percepção dos investidores de que "a PT que está cotada em bolsa não tem nada a ver com a MEO e a actividade em Portugal". "Ou seja, esta cotada detém uma participação na Oi e crédito a receber da Rio Forte", resume o administrador da Dif Broker.

 

Além disso, este especialista acredita que a empresa está a ser penalizada pelos "problemas com o negócio estrutural da Oi, cuja avaliação tem vindo a ser revista em baixa pelos analistas". Na semana passada, o ministro das Comunicações brasileiro, Paulo Bernardo, afirmou que a empresa brasileira sofreu um "desfalque" no processo de fusão com a empresa portuguesa e "talvez isso tenha tido como consequência a não participação da Oi no leilão [de 4G que decorreu em Setembro], o que acho negativo para a empresa".

 

Já Steven Santos sublinha que "o contexto de queda generalizada das bolsas mundiais, nas últimas sessões, aumentou o interesse em empresas com dificuldades para vender a descoberto. A Portugal Telecom apresenta-se como um alvo apetecível, depois de ter perdido a liderança carismática de Zeinal Bava".

 

"Alguns investidores portugueses têm-me manifestado o seu receio quanto ao futuro da PT, à medida que a acção regista novos mínimos históricos", resume o gestor da XTB.

 

Foram negociadas, até ao momento, 31,420 milhões de acções da empresa, o que supera a média de 11,316 milhões de títulos negociados diariamente nos últimos seis meses.

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