Bolsa Investidores de Wall Street foram a 2007 e voltaram

Investidores de Wall Street foram a 2007 e voltaram

As bolsas norte-americanas encerraram em alta, mas chegaram a estar a negociar no vermelho, com os "insiders" da América corporativa a venderem como se estivessem em 2007. A valorização no setor da energia inverteu a tendência para os ganhos.
Investidores de Wall Street foram a 2007 e voltaram
Reuters
Carla Pedro 28 de agosto de 2019 às 21:05

O Dow Jones terminou a sessão a somar 1% para 26.035,62 pontos e o Standard & Poor’s 500 avançou 0,66% para 2.887,94 pontos.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite subiu 0,38%, para 7.856,88 pontos.

Mas nem tudo foram rosas na sessão desta quarta-feira, com o dia em bolsa a marcar uma vez mais altos e baixos - e com a volatilidade a destacar-se num contexto de grandes incertezas no panorama económico mas também comercial e geopolítico. E o movimento inicial de vendas fez lembrar o ambiente que se vivia, por esta altura, há 12 anos.

 

Em 2007, quando já se perfilava no horizonte a crise que viria a revelar-se com força no ano seguinte – em setembro, o Lehman Brothers declarou falência –, os investidores/"insiders" das empresas começaram a vender em massa as ações que tinham em mãos. Hoje, o ambiente foi muito semelhante.

 

Esta quarta-feira, os principais índices acionistas do outro lado do Atlântico abriram no vermelho, tal como fecharam ontem, pressionados pelos receios em torno de uma eventual recessão nos EUA – numa altura em que os juros da dívida norte-americana de mais longo prazo estão abaixo das "yields" de mais curto prazo, sinalizando que pode estar para chegar uma recessão.

 

Os juros das obrigações a 10 anos dos EUA têm estado mais baixos do que as rendibilidades a dois anos, e esta quarta-feira as "yields" da dívida a 30 anos também marcaram um novo mínimo histórico.

 

E foi no âmbito destes receios que os investidores e líderes das empresas norte-americanas ditaram hoje, nas primeiras horas de negociação, um renovado movimento de vendas – sell-off –, deixando o mês de agosto a caminho do quinto mês do ano em que as vendas dos chamados "corporate insiders" atingiram os 10 mil milhões de dólares. As únicas outras vezes em que tal tinha acontecido foram em 2006 e 2007, o período anterior ao último "bear market" nos mercados acionistas, sublinha a CNN.

 

"Os investidores encaram normalmente estas compras e vendas dos ‘insiders’ – transações realizadas pelos executivos de topo, acionistas relevantes e administradores de empresas – como um sinal de confiança. Contudo, apesar de o mercado bolsista ser muito mais amplo agora do que era em 2007 (o que leva a que o marco dos 10 mil milhões de dólares possa não ser tão significativo hoje como o foi há 12 anos), a rapidez com que os ‘insiders’ estão a correr para as portas de saída poderá indicar preocupações com os desafios que estão pela frente, especialmente perante o facto de a guerra comercial entre os EUA e a China ameaçar desencadear uma recessão", frisa a mesma publicação.

 

Estas vendas, na opinião do analista Winston Chua, da TrimTabs, "são um sinal de falta de confiança". "Quando os ‘insiders’ vendem, é sinal de que estão convictos de que os preços das ações estão elevados e que é uma boa altura para sair do mercado", declarou Chua à mesma publicação.

 

E o dia prometia manter-se no vermelho, em Wall Street, mas houve um setor que ditou a inversão de tendência: o da energia, com especial destaque para o petróleo.

 

As cotadas da indústria petrolífera começaram a ganhar terreno depois de um relatório governamental divulgar que os inventários norte-americanos de crude diminuíram em 10 milhões de barris na semana passada.

 

Os preços do "ouro negro" subiram de imediato com estas notícias e assim se mantêm. O contrato de outubro do West Texas Intermediate (WTI), crude de referência para os EUA que é negociado em Nova Iorque, segue a somar 1,73% para 55,88 dólares por barril. No mercado londrino, o Brent do Mar do Norte para entrega em outubro ganha 1,61% para 60,47 dólares.

 

Este bom desempenho do petróleo nos principais mercados internacionais contagiou positivamente as cotadas do setor – que acabaram por conseguir, com a sua boa performance, ofuscar um pouco os receios dos investidores de Wall Street.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI