Research Investidores estão a pagar 1.300 dólares por hora para conversarem com “experts”

Investidores estão a pagar 1.300 dólares por hora para conversarem com “experts”

Os investidores europeus podem estar a cortar o seu orçamento para compra de notas de “research”, mas estão mais dispostos do que nunca a pagar até 1.300 dólares por hora para conversarem com profissionais que os possam colocar em vantagem.
Investidores estão a pagar 1.300 dólares por hora para conversarem com “experts”
Bloomberg 04 de março de 2018 às 13:00

Uma nova lei que entrou em vigor na União Europeia proíbe bancos de distribuir de forma gratuita notas de análise sobre acções. Sendo assim, algumas gestoras de recursos preferem gastar dinheiro a conversar com especialistas sobre sectores em destaque, como a inteligência artificial, ou de nichos, como embalagem de salsichas.

 

Ainda nem há uma década, o contacto directo entre Wall Street e pessoas de grande conhecimento nas suas respectivas áreas, chamadas redes de experts, ficou manchado, depois de alguns hedge funds terem usado informações confidenciais obtidas junto a destes profissionais para negociar activos e acabaram na cadeia.

 

No entanto, após anos de esforços para enquadramento nas leis e reconstrução das suas marcas, as redes de "experts" livraram-se do estigma e os anos de crise são uma lembrança distante. Primeiro, fizeram progressos na Ásia e, agora que o negócio vai de vento em popa nos EUA, o próximo alvo é a Europa.

 

"Parece que estão a contactar todo o mundo freneticamente", disse Phil Chapple, director operacional do hedge fund Monterone Partners, de Londres, que chegou a receber dois telefonemas por dia de redes que tentavam recrutá-lo.

 

Firmas como Gerson Lehrman Group (GLG), a principal rede de "experts" dos EUA, e concorrentes europeias como Third Bridge e AlphaSights, criam bases de dados privadas de consultores em todo o mundo. Alguns pacotes básicos cobram 100.000 dólares para uma empresa colocar os seus funcionários em contacto com os especialistas correctos. O valor pode subir se o tempo de conversa não for suficiente.

 

É aí que entram em cena personagens como Hermann Plank, especialista em plásticos. "Em cinco minutos, eu posso dar a algumas instituições financeiras informações que levariam semanas ou meses para obter com diligência prévia e análise de dados", garantiu.

 

Plank recebe umas três ligações por mês para prestar esses serviços. Durante as últimas três décadas, já ajudou empresas como a Becton Dickinson, a Unilever e a Pfizer a desenvolver produtos como lâminas de barbear descartáveis e rins artificiais.

 

Plank actua como consultor desde 2005 e afirma que, embora os "experts" possam ter conhecimento de informações confidenciais, sabem identificar o que infringe a lei ou não.

 

Os "experts" oficiais recebem treino sobre o que constituem informações relevantes e não públicas. Grandes aquisições que estão para ser anunciadas, planos de fechar lojas e resultados de testes com medicamentos ainda não divulgados pelos cientistas claramente são proibidos. Plank regularmente preenche análises de compliance para a GLG e assina contratos de confidencialidade.

 

Mesmo assim, o pior escândalo de negociação com informações privilegiadas da história dos EUA mostrou que as regras podem ser violadas. A partir de 2009, 95 pessoas foram condenadas na investigação realizada por procuradores e pelo FBI em Nova Iorque, incluindo gestores de fundos, analistas e funcionários de empresas de capital aberto que estavam a fazer "uma perninha" como consultores das redes de experts.

 

Um episódio chocante envolveu um ex-gestor de fundos da SAC Capital. Mathew Martoma foi condenado a nove anos de prisão em 2014, após vender segredos sobre um medicamento experimental contra a doença de Alzheimer, que Martoma ouviu de Sidney Gilman, neurologista que conheceu através da GLG.

 

A SAC conseguiu lucrar e evitar mais de 275 milhões de dólares em perdas quando foi divulgado que os testes com o remédio fracassaram. "Não há dúvida de que redes de ‘experts’ podem ser usadas inadequadamente por operadores para obter de pessoas de dentro das empresas informações que não são de conhecimento público", afirmou Arlo Devlin-Brown, que já foi procurador federal em Nova Iorque e actuou em casos de insider trading. Na Europa, "o sector financeiro faria bem em utilizar redes de experts com boa reputação e programas de compliance para se proteger."

 

(Texto original: Investors Are Paying $1,300 Per Hour for ‘Expert’ Chats)




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