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Jerónimo Martins fecha como segunda maior cotada de Lisboa após queda de 6%

A dona do Pingo Doce não recuava tanto numa só sessão desde Fevereiro de 2009. Um “conjunto de resultados negativo” foi determinante para a tendência que levou os títulos a uma cotação 9% abaixo do máximo histórico, renovado na segunda-feira passada.

Sofia A. Henriques
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2013 às 17:56
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A Jerónimo Martins fechou a sessão desta quarta-feira, 27 de Fevereiro, como a segunda maior empresa portuguesa. A queda de 6% da dona dos supermercados Pingo Doce, a mais elevada dos últimos quatro anos, fez com que a cotada fechasse a valer menos que a Galp Energia.

 

Cada acção da empresa liderada por Pedro Soares dos Santos encerrou a valer 15,12 euros, o que avalia a Jerónimo Martins nos 9,51 mil milhões de euros. O montante compara negativamente com a capitalização bolsista apresentada pela Galp no final da sessão, situada nos 9,83 mil milhões de euros.

 

A cotar nos 15,12 euros, a companhia nacional, que opera em Portugal com as marcas Pingo Doce e Recheio, está 9% abaixo do recorde que marcou desde que está em bolsa: os 16,66 euros verificados na segunda-feira, 25 de Fevereiro.

 

A Jerónimo Martins até caiu mais durante a sessão. Os títulos chegaram a desvalorizar-se mais de 7%, quando tocaram nos 14,965 euros, a cotação mais baixa desde 11 de Janeiro deste ano. A queda menos intensa de hoje foi de 2,20%. Durante o dia, foram trocadas mais de 2,5 milhões de acções da Jerónimo, quando a média diária por sessão se fica pelos 579 mil papéis trocados.

 

A retalhista não encerrava uma sessão bolsista a desvalorizar-se 6% desde 17 de Fevereiro de 2009. Nesse dia, o zloty, a moeda polaca, afundou e arrastou consigo a Jerónimo Martins – e na altura também o BCP - ambos expostos à Polónia.

 

Subida do dividendo não impede pessimismo com resultados

A empresa, que está presente na Polónia com a cadeia Biedronka, caiu devido ao “conjunto de resultados negativo” que foi hoje apresentado em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliário. O adjectivo é utilizado pela casa de investimento do BPI, na sua nota de “research” diária.

 

Em 2012, a Jerónimo Martins atingiu um lucro de 360,4 milhões de euros, 5,9% acima do resultado de 2011. O resultado líquido ficou aquém da projecção compilada pela Bloomberg, que apontava para os 387,5 milhões de euros.

 

Para o lucro anual inferior ao esperado contribuiu o desempenho no quarto trimestre, onde atingiu um resultado líquido de 28 milhões de euros, também abaixo das expectativas. A explicar os resultados estiveram, de acordo com os comentários do BPI Equity Research, um pior desempenho operacional, mais impostos e ainda custos extraordinários de 8 milhões de euros com imparidades e custos de reestruturação.

 

No quarto trimestre, o resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) ficou-se pelos 211 milhões de euros, o que representa um crescimento homólogo de 8%, enquanto a margem deslizou 50 pontos base para os 7,2%. Este comportamento da margem de EBITDA “deveu-se, principalmente, a uma margem de EBITDA ligeiramente pior do que o esperado na Polónia”, segundo o BPI Equity Research.

 

Nem o anúncio de que a empresa vai propor o pagamento de dividendo bruto (ainda sujeito a impostos) de 0,295 euros, 7,3% acima do pago anteriormente, foi suficiente para acalmar o pessimismo dos investidores nos títulos da empresa.

Durante a sessão, na conferência de imprensa, o grupo indicou que vai entrar na Colômbia, o seu terceiro mercado, a 13 de Março.

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

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