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Juro das OT sobe 14 pontos base com regresso dos receios ao mercado de dívida

Corte do "rating" da Irlanda e receios de forte travagem no crescimento económico levam os investidores a fugirem da dívida pública dos países periféricos. O "spread" da dívida portuguesa está hoje nos 320 pontos base. O da Grécia atingiu um recorde acima dos 900 pontos.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 25 de Agosto de 2010 às 18:24
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As "yields" dos países periféricos da Europa regressaram hoje aos dias de forte subida, devido aos renovados receios dos investidores com as contas públicas dos países soberanos, depois da S&P ter cortado o "rating" da Irlanda e de terem sido divulgados mais dados económicos que apontam para o abrandamento da economia mundial.

A rentabilidade das obrigações do tesouro a 10 anos, que varia em sentido inverso à cotação dos títulos, sobe 14 pontos base para 5,351%. A "yield" da Irlanda avança 22 pontos base e a da Grécia trepa 40 pontos base para 11,4%.

No dia em que a S&P cortou o "rating" da Irlanda para AA-, os investidores continuam a exigir juros mais elevados a este país do que a Portugal. A "yield" irlandesa subiu para 5,478%, colocando o "spread" face à Alemanha num novo recorde nos 347 pontos base.

O diferencial entre os juros da dívida portuguesa face às "bunds" – que mede o prémio de risco exigido pelos investidores – situa-se hoje nos 320 pontos base.
"Rating" da Irlanda cortado
A agência de notação de risco S&P cortou um nível à qualidade de crédito da Irlanda, para reflectir as maiores necessidades de recapitalização do sistema financeiro.

Nos novos cálculos dos analistas da S&P as necessidades de recapitalização dos bancos do país passaram de 35 mil milhões de euros para 50 mil milhões de euros, um esforço que pode contrariar a tentativa de consolidação orçamental que está a ser levada a cabo pelo país.



Este alargar de "spreads" deve-se também à descida das "yields" das "bunds", com os investidores a refugiarem-se na dívida pública mais segura numa altura em que crescem os receios sobre a saúde da economia mundial, depois de terem sido divulgados hoje novos dados negativos nos Estados Unidos, com as vendas de casas a atingirem um mínimo histórico.

Os juros da dívida alemã atingiram hoje o valor mais baixo de sempre nos 2,14%.

O regresso da turbulência ao mercado de dívida surgiu num dia em que Portugal voltou a realizar emissões de obrigações, tendo pago um juro mais elevado e colocado montantes mais elevados do que tinha programado.

O Tesouro português colocou 672 milhões de euros em dívida com maturidade a 10 anos, em que a "yield" média subiu para os 5,312%. Na anterior emissão comparável, em Junho, o juro médio havia sido de 5,225%.

O IGCP vendeu também 629 milhões de euros em Obrigações com maturidade a seis anos, pagando um juro médio de 4,371%. A procura superou em 2,1 vezes a oferta e o custo aumentou face aos 3,834% pagos na mesma linha, em Fevereiro de 2009. Esta é a emissão comparável mais recente. Neste particular, o rácio de procura manteve-se inalterada nos 1,8.



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