Taxas de juro Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010

Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010

Taxa de juro associada ao juros a dez anos está a recuar há nove sessões consecutivas, continuando a diminuir o prémio de risco face à dívida alemã. Já a rendibilidade a cinco anos está praticamente a descer abaixo da fasquia dos 3%.
Juros da dívida a cinco e dez anos estreiam novos mínimos do início de 2010
Diogo Cavaleiro 26 de março de 2014 às 10:10

Os investidores não aceitavam trocar dívida portuguesa a uma taxa de juro tão reduzida desde o início de 2010. Portugal continua a verificar um alívio no mercado de dívida secundário, onde os investidores negoceiam entre si, beneficiando do melhor ambiente que se vive pela Europa.

 

No caso específico daquele que é o prazo de referência, a taxa de juro implícita aos títulos de dívida a dez anos está a recuar 5,8 pontos base para ser negociada nos 4,14%, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg. É a nona sessão consecutiva de queda para esta rendibilidade. Não era praticada desde Março de 2010.

 

Com estes deslizes seguidos, a taxa de juro nacional tem-se aproximado daquela que é a taxa de juro associada à dívida alemã (a dívida que é considerada a mais segura e, portanto, aquela que é utilizada em termos comparativos). O diferencial entre as duas taxas já tocou esta quarta-feira num novo mínimo desde Agosto de 2010. Esta diferença representa o prémio de risco da dívida nacional, o que indica que esse risco está em mínimos de há três anos e meio. Em meados de Março, o prémio chegou a estar em 300 pontos base (3 pontos percentuais) mas segue hoje nos 255 pontos.

 

As quedas das taxas de juro implícitas dos títulos de dívida reflectem uma subida do preço desses títulos (já que os juros evoluem em sentido contrário ao preço). Ou seja, as obrigações ganham interesse para os investidores, ficando mais caras (como acontece no mercado accionista). Dado que a percepção de risco da dívida é menor, os títulos são considerados mais seguros e, daí, os investidores exigem um retorno menos elevado.

 

Na sessão de hoje, e um pouco como tem acontecido nas últimas semanas, as descidas acontecem em todos os prazos. A “yield” a cinco anos é, contudo, aquela que está hoje em destaque. A taxa de juro segue a perder 7 pontos base para os 3,008%. Já tocou nos 3,007%. Nunca, desde Janeiro de 2010, um investidor tinha sinalizado a intenção de adquirir títulos de dívida portuguesa a cinco anos com uma rendibilidade associada tão baixa.

 

Estas descidas têm beneficiado, também, da maior troca de títulos de dívida. O mercado secundário tem registado um maior volume de negociação, regressando a níveis há muito não vistos, já que a crise da dívida afastou os investidores mais cautelosos, devido aos receios de um eventual incumprimento português, que estarão agora a regressar.

 

O fim do programa de assistência económica e financeira, programada para Maio deste ano, está a aproximar-se ao mesmo tempo que se sente este alívio das taxas de juro. Portugal terá, depois do fim do resgate, de se financiar no mercado primário (em que vende directamente aos investidores) sozinho a taxas consideradas sustentáveis (embora se mantenha ainda a possibilidade de solicitar uma rede de segurança para momentos de dificuldade, o chamado programa cautelar).

 

De qualquer modo, muito do movimento de alívio das taxas de juro da dívida nacional tem acontecido porque o ambiente a nível europeu melhorou. Melhores perspectivas de crescimento e o facto de a crise da dívida ter deixado de estar no centro d discussão mediática acabaram por permitir uma descida das taxas de juro associadas a dívidas de países periféricos e que estiveram no centro da dívida, como o caso de Itália, Espanha e a Irlanda (esta última tendo já terminado o seu programa de resgate).




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