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Juros da dívida a 2 anos voltam a superar 1%

O mercado de dívida português está novamente sob pressão, depois das fortes subidas dos juros registadas na sessão de ontem. A "yield" da dívida a 10 anos avança pela quarta sessão consecutiva, e está próxima de máximos de Maio. A 2 anos está de novo acima de 1%.

Bruno Simão/Negócios
Rita Faria afaria@negocios.pt 10 de Julho de 2014 às 09:38
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Depois das fortes subidas registadas na sessão de ontem, esta quinta-feira, 10 de Julho, os juros da dívida pública portuguesa estão novamente em alta, em todos os prazos.

 

A tendência repete-se nos mercados de dívida dos restantes países periféricos, embora com subidas menos ligeiras. Os juros associados à dívida espanhola a 10 anos avançam 0,5 pontos base para 2,760% enquanto a "yield" da dívida italiana, no mesmo prazo, avança 0,8 pontos base para 2,889%.

 

Na dívida portuguesa, a "yield" das obrigações a 10 anos sobe 13,7 pontos base para 3,908%, estando a renovar máximos de Maio, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg. Esta subida acontece depois de, ontem, a "yield" ter atingido uma subida máxima de 25,9 pontos base, o que representa o agravamento intradiário mais acentuado desde 12 de Julho do ano passado, na altura em que Portugal vivia uma forte crise política na sequência da demissão de Vítor Gaspar e do pedido de demissão irrevogável de Paulo Portas. Nessa sessão os juros da dívida a 10 anos escalaram 94 pontos base para 7,83%.

 

Os juros associados à dívida a 10 anos, o prazo de referência, estão a subir há quatro sessões consecutivas.

 

Nos restantes prazos a tendência de agravamento é semelhante, com um aumento de 19,9 pontos base nos títulos a 5 anos para 2,659% e de 9,8 pontos base para 1,052% na maturidade a 2 anos. Já na sessão de quarta-feira, os juros a dois anos chegaram a ultrapassar a fasquia de 1%, mas terminaram a sessão abaixo dessa fasquia. Desde o dia 6 de Junho que os juros a dois anos não fecham acima de 1%. 

 

Esta quinta-feira não só as taxas de juro estão a subir, como também o "spread" entre a dívida portuguesa e alemã está mais elevado. Ou seja, o prémio de risco que os investidores estão a exigir para comprar dívida portuguesa em detrimento da alemã está mais alto. Sobe 16,4 pontos base para 268,2 pontos.

 

As agências noticiosas e vários analistas internacionais têm associado o agravamento não só dos juros da dívida pública portuguesa, como dos restantes países periféricos à instabilidade provocada pelo Grupo Espírito Santo, que tem arrastado várias cotadas portuguesas e condicionado o desempenho da praça de Lisboa.

 

Desde a crise política do Verão passado que os analistas não justificam a aversão ao risco nos mercados com acontecimentos em Portugal, mas essa voltou a ser a realidade.

 

"As notícias sobre o [Grupo] Espírito Santo estão a causar alguma preocupação", disse ontem, à Bloomberg, Felix Herrmann, analista do DZ Bank. 

 

Elia Latttuga, do UniCredit, garantiu que os investidores estão a aproveitar esta altura para realizar mais-valias com o investimento na dívida portuguesa. O banco italiano, segundo a Bloomberg, está a recomendar aos investidores que aguardem por alguma clareza sobre a situação em Portugal antes de voltar a comprar dívida do País.   

 

(Notícia actualizada às 10h17)

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