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Juros das obrigações do Novo Banco caem para metade em 2017

Os desenvolvimentos no processo de venda do Novo Banco levaram as taxas das obrigações da entidade a cair para metade desde o início do ano. Mas continuam acima de 10%, o que pressupõe "risco elevado".

Raquel Wise/Sábado
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 03 de Março de 2017 às 07:00
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Os investidores chegaram, em Dezembro, a exigir mais de 24% para deter dívida do Novo Banco a dois anos. Mas com a maior visibilidade sobre o processo de venda, após sucessivos adiamentos e incertezas sobre o futuro do banco, a taxa desses títulos caiu para metade, transaccionando em 11,22%. No entanto, este valor é classificado como o reflexo de que existem ainda ricos elevados.

"As obrigações do Novo Banco têm evoluído consoante as notícias acerca da venda", observa Pedro Lino. O administrador da Dif Broker nota que após a subida das taxas em Dezembro, fruto de um adiamento do processo de venda, as últimas indicações foram favoráveis. 

"À medida que aparecem interessados com propostas que aparentemente não prevêem que os obrigacionistas percam dinheiro, o preço das obrigações ajusta-se ao que seria o valor real no mercado", refere Pedro Lino.

Também a DBRS, no relatório que fez sobre o banco em Fevereiro, notou que "a confiança dos investidores melhorou e esperamos que esse factor continue com a conclusão do processo de venda".  Ainda assim, a agência avalia o banco em CCC alto, notação que indicia um investimento muito especulativo e em que o risco de incumprimento não é descartado.

A Lone Star está em negociações exclusivas para a compra do banco. A proposta do fundo de "private equity" inclui uma capitalização de mil milhões de euros da entidade e um pagamento  inferior a 750 milhões  ao Fundo de Resolução. E uma outra entidade, a Aethel, entregou uma carta de intenções tendo em vista uma possível compra do Novo Banco.


Risco elevado

Apesar da descida da taxa das obrigações, os valores actuais exigidos pelos investidores para deterem estes títulos sinaliza elevados níveis de risco. Pedro Lino considera que a "yield" acima de 10% para títulos a dois anos indica que "depois da transferência de obrigações  do Novo Banco para o BES em 2015 e apesar do Banco de Portugal ter garantido que o balanço estava encerrado, os investidores preferem esperar para ver, continuando a atribuir ao Novo Banco um nível de risco elevado".

Mas admite que "é expectável que o prémio de risco venha a baixar à medida que se vai conhecendo o plano de venda da instituição".

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