Obrigações Juros de Portugal caem para novos mínimos

Juros de Portugal caem para novos mínimos

As taxas de juro de Portugal estão a registar novas quedas. Não são acentuadas mas são suficientes para levar as “yields” para mínimos.
Juros de Portugal caem para novos mínimos
Sara Antunes 08 de dezembro de 2017 às 12:40

As taxas de juro implícitas na dívida portuguesa, negociadas no mercado internacional, estão a descer na generalidade dos prazos, tocando em novos mínimos.

 

A taxa associada à dívida a 10 anos, que é a referência, desce 0,6 pontos base para 1,812%, tendo já tocado nos 1,801%, o que corresponde a um novo mínimo desde Abril de 2015. Já a taxa a cinco anos desce 2,3 pontos base para 0,43%, o que representa o valor mais baixo de sempre.

 

As taxas de juro de Portugal continuam assim em queda, numa altura em que se prevê que a Fitch retire o "rating" do país de "lixo". Esta decisão será conhecida na próxima sexta-feira, 15 de Dezembro, com os analistas a apontarem para que se efective a saída do "rating" do país de um patamar considerado de investimento especulativo.

 

A confirmar-se será a segunda agência de notação financeira a fazê-lo, já que a S&P surpreendeu o mercado e já elevou o "rating" de Portugal para um nível de investimento. Com duas agências a elevarem a notação do país, Lisboa volta a estar no radar de investimento de alguns índices.

 

Ainda esta quinta-feira, o Morgan Stanley emitiu uma nota de análise onde recomenda os investidores a aumentarem a exposição aos títulos de Portugal antes da decisão da Fitch. E esta análise não é exclusiva do Morgan Stanley.

 

Em Novembro, Richard Hodges, da Nomura, um dos maiores defensores no investimento de dívida nacional considerou que o momento das obrigações de Portugal chegou ao fim, com a perspectiva da saída do "lixo" do "rating" por parte da Fitch. Não porque antecipe nuvens negras no horizonte, mas porque o potencial retorno desses investimentos será marginal.

 

Apesar destas análises, há ainda quem esteja optimista em relação ao investimento em dívida nacional. Segundo um apanhado da Bloomberg, a percepção dos analistas é de que 2018 será um ano de riscos para as obrigações europeias. Mas há uma excepção: Portugal.

Os bancos Rabobank, JPMorgan e Credit Agricole continuam optimistas em relação à dívida nacional, mesmo depois das obrigações terem subido pelo oitavo mês consecutivo, em Novembro, levando a taxa de juro para mínimos.

Há "uma aparente mudança de sentimento em Portugal – Portugal deverá finalmente recuperar o estatuto de periférico", já que deverá deixar para trás a era da crise financeira, explica o estratega Richard McGuire, do Rabobank. Este responsável prevê mesmo que o prémio de risco da dívida portuguesa face à alemã desça para cerca de 40 pontos base. Actualmente está nos 155 pontos. "As obrigações portuguesas devem ter um desempenho melhor do que os pares italiano e espanhol", acrescenta o mesmo estratega.