Bolsa Juros de Portugal igualam os de Espanha após eleições

Juros de Portugal igualam os de Espanha após eleições

Os resultados das eleições legislativas de Portugal estão a ser interpretados como um prenúncio de estabilidade política. Em Espanha continua a não haver acordo. Cenários que estão a levar a uma aproximação dos juros dos dois países.
Sara Antunes 07 de outubro de 2019 às 15:09

As taxas de juro da dívida portuguesa a 10 anos estão a descer na generalidade dos prazos. As quedas não são pronunciadas, mas são suficientes para a "yield" já ter negociado abaixo da espanhola, seguindo agora num patamar idêntico.

 

A taxa implícita da dívida portuguesa a 10 anos está a descer 0,9 pontos base para 0,123%, enquanto a "yield" espanhola está a recuar 0,3 pontos para 0,122%. Contudo, esta manhã a taxa portuguesa chegou a estar abaixo da espanhola, numa altura em que os juros de Espanha estavam a subir.

 

As oscilações não são acentuadas, bem pelo contrário, mas refletem, sobretudo, o contexto político que se vive nos dois países.

 

Portugal foi a eleições este domingo, com o PS a vencer, ainda que sem maioria absoluta. Ainda assim, os investidores estão a receber os resultados como a garantia de estabilidade política, devido ao reforço do partido que sustenta o Governo, acreditando que o PS será capaz de governo com o apoio das forças políticas de esquerda.

 

Foi precisamente este o cenário traçado por António Costa no discurso de vitória proferido já na madrugada desta segunda-feira. O primeiro-ministro salientou que "os portugueses gostaram da geringonça e desejam a atual solução política agora com um PS mais forte". O socialista disse ser "desejável renovar esta solução" à esquerda, mas admitiu que tal não depende apenas do PS, mas "de todos". "É nossa missão e dever procurar uma solução estável que assegure um Governo por quatro anos", disse António Costa, argumentando que "os portugueses não deram um voto para a instabilidade, foi para a continuidade".  

 

Este contexto é bem diferente do de Espanha, onde já estão convocadas novas eleições legislativas para 10 de novembro, depois de os líderes não terem conseguido chegar a um acordo para formar Governo. O PSOE, de Pedro Sánchez, venceu as últimas eleições, mas sem maioria absoluta e sem conseguir fechar qualquer acordo que permitisse constituir um Executivo.

 

Numa altura em que a política do Banco Central Europeu (BCE) é de aposta em juros baixos e retoma do programa de compra de dívida, as taxas de juro das dívidas soberanas têm sido beneficiadas. Ainda assim, alguns países têm beneficiado mais do que outros, o que permitiu a Portugal aproximar-se cada vez mais de Espanha.

 

A beneficiar Portugal esta segunda-feira estará também a revisão do "rating" por parte da agência canadiana, DBRS. A agência melhorou a nota de "rating" de Portugal para o nível mais elevado dos últimos oito anos. A agência justificou a decisão com a evolução da consolidação orçamental e a trajetória de descida do endividamento público. E já esta segunda-feira, a mesma agência disse esperar uma continuidade nas políticas em Portugal com uma solução governativa idêntica à que governou nos últimos quatro anos.




Saber mais e Alertas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI