Crédito Juros do crédito à habitação sobem para máximos de mais de três anos

Juros do crédito à habitação sobem para máximos de mais de três anos

A subida dos juros ocorreu no conjunto dos contratos de crédito à habitação e também nos celebrados nos últimos três meses.
Juros do crédito à habitação sobem para máximos de mais de três anos
Lusa
Nuno Carregueiro 19 de março de 2019 às 11:12

Apesar de o BCE prometer manter as taxas de juro em mínimos históricos e de os bancos em Portugal estarem a baixar os spreads, os custos dos contratos de crédito à habitação aumentaram para os portugueses no mês de fevereiro.

 

De acordo com os dados revelados pelo Instituto Nacional de Estatística esta terça-feira, 19 de março, a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação aumentou em fevereiro para 1,061%. Trata-se do terceiro aumento consecutivo, que coloca a taxa no nível mais elevado desde julho de 2016.

 

No que diz respeito à taxa de juro implícita dos novos contratos de crédito à habitação, também subiu em fevereiro, anulando a queda registada em janeiro. Subiu 14,1 pontos base para 1,423%.

 

Em janeiro tinha atingido o valor mais baixo desde que o INE começou a publicar estes dados, em abril de 2003, ou seja, um mínimo de 16 anos.

Apesar do aumento da taxa, o valor médio da prestação vencida no conjunto dos contratos manteve-se em 244 euros, sendo que deste total 19% corresponde a pagamento de juros e 81% a capital amortizado. Nestes contratos o capital médio em dívida é de 52.443 euros.

 

No que diz respeito aos contratos celebrados nos últimos três meses, o valor médio da prestação aumentou 17 euros em fevereiro, para 326 euros. Neste caso, o capital médio em dívida (que na prática corresponde ao valor médio dos contratos) é de 98.292 euros.

 

Pressão para descida das taxas nos próximos meses

 

Apesar de fevereiro ter sido marcado por um agravamento dos custos nos contratos de crédito à habitação, a tendência nos próximos meses será para descidas, por via de dois efeitos.

 

Por um lado a política monetária do Banco Central Europeu, que já prometeu não mexer na taxa de juro até ao final deste ano. A decisão foi revelada na reunião de março, sendo que Mario Draghi revelou também que o BCE vai conceder empréstimos baratos à banca europeia, o que pressionou em baixa as taxas de juro de curto prazo, como é o caso das Euribor (a taxa interbancária a que estão indexados os créditos à habitação em Portugal).

 

Além do efeito da política monetária do BCE, a pressão para a descida das taxas incide sobretudo nos novos contratos. Isto porque os bancos em Portugal estão a renovar a aposta no crédito à habitação, concedendo "spreads" cada vez mais baixos.

 

Ainda esta segunda-feira o Santander Totta tornou-se o terceiro banco em 2019 a avançar com um corte no "spread". Desceu a margem mínima exigida aos clientes nos financiamentos para a compra de casa de 1,25% para 1,20% e colocou a taxa de juro máxima abaixo de 2%. Os principais bancos em Portugal têm agora "spreads" com uma diferença de apenas uma décima: BCP, Novo Banco e BPI (1,25%) e CGD (1,30%).




Saber mais e Alertas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI