Obrigações Juros italianos abaixo de 1% pela primeira vez com novo governo à vista

Juros italianos abaixo de 1% pela primeira vez com novo governo à vista

Os juros da dívida soberana de Itália estão em mínimos históricos, a poucas horas do prazo final para um acordo entre o 5 Estrelas e o PD. A expectativa do mercado é que haverá entendimento para a formação de uma nova aliança governativa.
Juros italianos abaixo de 1% pela primeira vez com novo governo à vista
EPA
Rita Faria 28 de agosto de 2019 às 13:54

Os juros da dívida italiana estão a afundar em todas as maturidades e já atingiram mesmo um novo mínimo histórico no prazo a dez anos, abaixo de 1%.

 

A yield associada às obrigações no prazo de referência – que recua 13,9 pontos base para 0,994% - quebrou pela primeira vez na história o patamar de 1%, numa altura em que crescem as expectativas de que o 5 Estrelas e o Partido Democrático (PD) vão fechar um acordo para a formação de um novo governo, evitando assim a realização de novas eleições.

 

As negociações entre os dois partidos chegaram a ser suspensas na terça-feira, mas já foram retomadas esta manhã depois de o PD ter aceitado renomear Giuseppe Conte para o cargo de primeiro-ministro, a principal exigência do 5 Estrelas para avançar com as conversações.

 

"Acordámos o nome de Conte para primeiro-ministro porque era isso que o 5 Estrelas queria", afirmou o presidente do PD, Nicola Zingaretti, que também garantiu o apoio da restante liderança do partido para uma aliança com o anti-sistema 5 Estrelas, apesar do historial de rivalidade entre as duas formações políticas.

 

No entanto, a poucas horas do fim do prazo para um acordo – os dois partidos têm até ao final do dia para chegar a um entendimento – o 5 Estrelas e o PD ainda não têm uma agenda política comum nem acordaram outros cargos importantes do futuro Executivo, um dos pontos que tem gerado mais fricção entre di Maio e Zingaretti.

 

Di Maio quererá ocupar o cargo de vice-primeiro-ministro, enquanto Zingaretti exige que essa posição seja preenchida pelo PD, já que o lugar de primeiro-ministro ficará para Conte, que embora não seja de nenhum partido, está mais próximo do 5 Estrelas.

 

"O problema é que se há um primeiro-ministro do 5 Estrelas, é justo que o seu vice-primeiro-ministro seja do PD", escreveu o vice-presidente do PD, Andrea Orlando, no Twitter.

 

Até ao final do dia de hoje, os dois partidos terão de comunicar ao presidente Sergio Mattarella o resultado das negociações. Se não tiverem fechado um acordo, o chefe de Estado deverá nomear um governo interino e convocar novas eleições já para o início de outubro.   

 

Se, pelo contrário, os dois partidos fecharem um acordo para formar uma nova aliança governativa, há ainda alguns obstáculos no caminho, nomeadamente a luz verde para essa solução por parte dos membros do 5 Estrelas. É que, segundo explicou o partido na terça-feira, o eventual acordo com o PD ainda tem de ser sujeito a um voto online dos membros do 5 Estrelas, muitos dos quais rejeitam esta aliança e têm mesmo usado as redes sociais para incentivar di Maio e desistir das negociações.




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