Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Juros da dívida a cinco anos romperam barreira dos 8,6%

As taxas de juro da dívida pública estão a renovar novos máximos em diversos prazos. A cincos anos já romperam esta manhã duas "barreiras": 8,5% e 8,6%.

Eva Gaspar egaspar@negocios.pt 28 de Março de 2011 às 10:52
  • Assine já 1€/1 mês
  • 7
  • ...
De acordo com os preços genéricos calculados pela agência Bloomberg, as taxas de juro subjacentes aos títulos da dívida pública portuguesa estão agora a subir no mercado secundário em todos os prazos.

A dez anos, as taxas cobradas entre os investidores estão agora acima dos 7,8%, em 7,828%, o que significa um agravamento de 4,2 pontos base face à última sessão.

As taxas mais elevadas continuam a ser cobradas nas transacções com títulos a cinco anos, que já esta manhã quebraram duas barreiras: 8,5% e 8,6%. Estão a acumular uma subida de 12,6 pontos base, fixando um novo máximo em 8,615%.

Espanha descola

Já as taxas de juro associadas à dívida pública espanhola estão hoje a subir, mas de forma residual. A dez anos, as taxas estão em 5,175%, mais 0,2 pontos base do que na última sessão, e a cinco estão inclusive a descer (0,5 pontos base) para 4,241%, o que sugere a inexistência de sinais de contágio da crise portuguesa a Espanha.

O chumbo do PEC IV e a demissão do Governo, na passada quarta-feira, detonou uma nova escalada de agravamento dos indicadores que sinalizam as condições que o Estado português terá de enfrentar em operações futuras de financiamento, com as taxas de juro da dívida a renovaram diariamente novos máximos.

Desde então, duas agências de notação de risco – a Fitch e a Standard&Poor’s – baixaram também o “rating” da República, sendo provável que a Moody’s o faça também em breve.

A degradação das condições de financiamento do Estado português, aliada aos avultados montantes que terão de ser angariados nos próximos meses para ressarcir dívida passada e financiar o novo défice, tornam cada vez mais difícil Portugal contornar um pedido de ajuda externa.

Ajuda a caminho?


Ainda ontem, Ewald Nowotny, o governador do Banco Central da Áustria, e membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu (BCE), afirmou que seria "recomendável" Portugal recorrer a apoio financeiro internacional.
"Vendo de um ponto de vista puramente económico, uma decisão deste género pode ser certamente recomendável", afirmou Ewald Nowotny.

Para este responsável, a próxima emissão de dívida que o Estado português pretende fazer no mercado, que deverá ocorrer em Abril e num montante de 5,5 mil milhões de euros, segundo a Dow Jones, irá decidir se Portugal tem ou não de pedir ajuda financeira à União Europeia e ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Governo demissionário de José Sócrates continua no entanto a resistir, advertindo para as consequências pesadas e duradouras de uma intervenção externa, que poderá gerar uma fuga de depósitos e significar a implementação de medidas draconianas, como despedimentos na função pública.

Pedro Passos Coelho, líder do PSD e provável futuro primeiro-ministro, diz o recurso à ajuda da Zona Euro e do FMI deve ser encarado como última instância, mas não deve ser diabolizada.

Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogrupo (ao centro na foto), disse na semana passada que 75 mil milhões de euros seria um “valor apropriado” de uma eventual ajuda a Portugal.


Ver comentários
Saber mais taxas de juro cinco anos barreira 8 6%
Mais lidas
Outras Notícias