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Juros da dívida com maior queda desde Junho após entrevista de Centeno

Depois de terem atingido máximos desde o Brexit na passada sexta-feira, os juros da dívida portuguesa a dez anos estão em forte queda, reflectindo o optimismo de Centeno com a revisão da DBRS, daqui a duas semanas.

Miguel Baltazar/Negócios
Rita Faria afaria@negocios.pt 10 de Outubro de 2016 às 10:54
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Os juros da dívida pública portuguesa estão a registar fortes descidas em todas as maturidades, depois de o ministro das Finanças Mário Centeno ter garantido, numa entrevista à Bloomberg, que a DBRS não deverá alterar o rating de Portugal.

A ‘yield’ associada às obrigações a dez anos está a descer 11,4 pontos para 3,465%, o maior alívio desde 28 de Junho (considerando os valores de fecho). Na última sessão, os juros atingiram o nível mais elevado desde 24 de Junho - o rescaldo do Brexit - nos 3,606%.

Em entrevista à agência noticiosa, Mário Centeno assegurou que a DBRS "sente-se muito confortável sobre a posição orçamental" portuguesa, que considerou "muito forte". Depois do encontro com a agência de "rating" canadiana, o ministro das Finanças referiu ainda que "a expectativa é que não irão mudar o ‘outlook’ ou a notação" na avaliação que será divulgada a 21 de Outubro.

A evolução da dívida portuguesa no mercado secundário está, assim, a reflectir o optimismo em torno destas declarações, numa altura em que, na Europa, não há uma tendência definida.

Em Espanha, os juros associados às obrigações a dez anos sobem 0,1 pontos base para 1,016%, enquanto na Alemanha o agravamento é de 1,2 pontos.

Como os juros das bunds germânicas estão a subir e as ‘yields’ portuguesas a descer, também o risco de Portugal – medido pelo diferencial face à dívida alemã – está mais baixo. Cai 12,3 pontos esta segunda-feira, 10 de Outubro, para 340,6 pontos.

Na passada quinta-feira, a DBRS considerou que a economia portuguesa está presa num "ciclo vicioso" de dívida elevada, baixo crescimento e adiamento de reformas económicas.

Ao Financial Times, Fergus McCormick, economista-chefe da agência canadiana, explicou que o crescimento desacelerou e os juros da dívida pública subiram, colocando uma "pressão descendente" sobre o rating

 

A DBRS é a única das quatro agências de notação financeira internacionais que coloca a dívida portuguesa num patamar de investimento, com as restantes – S&P, Moody’s e Fitch – a considerarem as obrigações nacionais como um investimento especulativo.

No próximo dia 21 de Outubro, depois de conhecido o Orçamento do Estado para 2017, a DBRS vai pronunciar-se sobre o rating de Portugal, e uma revisão em baixa pode ameaçar a elegibilidade da dívida nacional para o programa de compras do Banco Central Europeu (BCE). 

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