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Juros da dívida sofrem maior subida desde a crise política do Verão passado (act)

Está a ser uma sessão de quedas acentuadas para as cotações das obrigações portuguesas, com a “yield” dos títulos a 10 anos a dispararem mais de 20 pontos base e aproximarem-se dos 4%, em máximos de Maio deste ano. Os operadores citam a crise no GES para justificar o comportamento.

Bruno Simão/Negócios
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 09 de Julho de 2014 às 10:23

Os juros da dívida pública portuguesa estão a acentuar a tendência de alta em todos os prazos, negociando em máximos de Maio.

 

A queda das cotações das obrigações portuguesas (que variam em sentido contrário às "yields") está a arrastar os títulos de dívida dos outros periféricos. Os juros da dívida a 10 anos de Espanha e Itália sobem cerca de 5 pontos base.

 

Na dívida portuguesa a "yield" das obrigações a 10 anos sobe 24 pontos base para 3,89%, o nível mais elevado desde meados de Maio, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg. Nos restantes prazos a tendência de agravamento é semelhante, com um aumento de 15 pontos base nos títulos a 2 anos para 1,04% e de 27 pontos base para 2,59% na maturidade a 5 anos.

 

A "yield" atingiu uma subida máxima de 25,9 pontos base, o que representa o agravamento intradiário mais acentuado desde 12 de Julho do ano passado, na altura em que Portugal vivia uma forte crise política na sequência da demissão de Vítor Gaspar e do pedido de demissão irrevogável de Paulo Portas. Nessa sessão os juros da dívida a 10 anos escalaram 94 pontos base para 7,83%.

 

Esta forte queda das cotações das obrigações portuguesas é a principal notícia em destaque no terminal da agência Bloomberg, que a par da Reuters é a mais utilizada pelos profissionais dos mercados em todo o mundo. A Bloomberg cita as notícias que dão conta do atraso do Banque Privée Espírito Santo, um banco suíço do GES, para citar esta nova turbulência com a dívida portuguesa, que até aqui tem vivido dias calmos.

 

A agência de notícias cita "traders" em Londres a justificar o comportamento da dívida portuguesa com as preocupações com o Grupo BES, adiantando que os investidores estão a vender obrigações soberanas portuguesas para expressar estes receios. O "spread" da dívida portuguesa está a agravar-se 26 pontos base, a maior subida desde 12 de Julho do ano passado, para 269 pontos base.

 

"As notícias sobre o [Grupo] Espírito Santo estão a causar alguma preocupação", disse à agência de notícias Felix Herrmann, analisa do DZ Bank. 

 

Elia Latttuga, do UniCredit, diz que os investidores estão a aproveitar esta altura para realizar mais-valias com o investimento na dívida portuguesa. O banco italiano, segundo a Bloomberg, está a recomendar aos investidores que aguardem por alguma clareza sobre a situação em Portugal antes de voltar a comprar dívida do País.   

 

Ciaran O'Hagan, do Société Générale, diz que se a situação no BES não contagiar o Estado português, os receios com as obrigações soberanas portuguesas parecem exagerados.

   

A subida acentuada dos juros de Portugal surge numa sessão que está a ser bastante negativa para a bolsa nacional. O PSI-20 já esteve a desvalorizar mais de 2%, com a Portugal Telecom a afundar mais de 10% para mínimos históricos e as cotações do BES e ESFG também em queda acentuada.

 

O Negócios noticia hoje que os clientes do Banque Privée Espírito Santo, o banco de gestão de fortunas que o Grupo Espírito Santo (GES) tem na Suíça, estão a começar a organizar-se para avançarem em conjunto com queixas contra a instituição e a Espírito Santo International (ESI), "holding" de topo do GES.

 

Em causa está o facto de terem em atraso o reembolso de investimentos realizados em papel comercial da ESI e de outras sociedades do grupo que, alegam, lhes foram apresentados pelo banco suíço do GES como produtos sem risco, mas que agora estão sob a ameaça de incumprimento.

 

(notícia actualizada pela segunda vez às 12h20 com mais informação)

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