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Juros portugueses sobem mas taxa a dez anos permanece abaixo de 7%

A incerteza nos Estados Unidos e em Itália está a assustar os investidores e leva-os a pedir maiores taxas para trocar dívida nacional mas também italiana e espanhola.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 30 de Setembro de 2013 às 09:12
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Portugal está sob pressão no mercado de dívida. Acompanhando os restantes países periféricos, as taxas de juro associadas aos títulos de dívida nacional estão a marcar avanços.

 

A rendibilidade pedida pelos investidores para negociar obrigações portuguesas a dez anos está a subir 8,4 pontos base. Depois de fechar nos 6,86% na sexta-feira, segue esta segunda-feira nos 6,92%. É um aumento que, ainda assim, não leva a “yield” para um nível superior a 7%, barreira que desceu na semana passada. Esta fasquia psicológica tinha sido ultrapassada no início do mês.

 

As taxas de juro implícitas da dívida portuguesa estão a ceder em todos os prazos. A dois anos, a taxa soma 9,1 pontos base para 5,5%, ao passo que a cinco anos avança 3,4 pontos base para 6,29%.

 

O avanço da manhã desta segunda-feira contrasta com as fortes descidas da semana passada que, por sua vez, representavam um alívio face às subidas registadas no mercado de dívida no início do mês. O mercado de dívida português continua bastante volátil, tendo em conta as notícias que colocam maiores dúvidas sob a capacidade do país em aceder a um programa cautelar após a saída da troika (Junho de 2014) e, assim, impedir um segundo resgate. O jornal "Público" escreveu, este sábado, que a Comissão Europeia já está a trabalhar o cenário de um segundo resgate, uma ideia que foi desmentida tanto por Bruxelas como pelo Governo de Passos Coelho.

 

A dívida nacional está a verificar um avanço nas taxas de juro tal como acontece nos restantes mercados da periferia europeia. Itália, Espanha e Irlanda registam aumentos das “yields” da dívida, o que quer dizer que os investidores estão a pedir maiores rendibilidades para transaccionar os títulos – o que quer dizer que o preço desses títulos está a cair, ou seja, a tornar-se menos atractivo.

 

Os portugueses foram este domingo às urnas para decidir os líderes dos órgãos de poder local mas os resultados, apesar de castigarem o maior partido do Governo (PSD), não deverão ter efeitos na política nacional. Essa é a leitura que, por exemplo, o “Financial Times” faz: “Apesar das derrotas dos partidos da coligação para os governos locais, os credores internacionais e os investidores deverão estar mais preocupados com a capacidade do governo em cumprir as metas do défice e em conseguir cortar as despesas exigidas no resgate”.

 

A justificação para o aumento das rendibilidades da dívida nacional e de outros países como Irlanda, Itália e Espanha, passa pelas incertezas vividas nos Estados Unidos e em Itália. Na maior economia do mundo, continua o impasse em relação a um eventual acordo no Congresso para que o país não entre numa paralisação operacional – em que, não havendo uma renovação do financiamento, vários serviços de administração central terão de ser encerrados. No caso italiano, os ministros do partido de Sílvio Berlusconi deverão abandonar a coligação, o que poderá deixar o país na possibilidade de ir a novas eleições - o que assusta os investidores.

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