Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Limites na dívida soberana podem forçar bancos a levantar até 135 mil milhões

A Fitch antecipa novas necessidades de capital para a banca europeia, caso sejam implementadas as novas regras que limitam a exposição a dívida soberana local. Sector pode ser obrigado a levantar até 135 mil milhões de euros.

Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 08 de Junho de 2016 às 09:55
  • Assine já 1€/1 mês
  • 3
  • ...

As mudanças na regulação para limitar o investimento dos bancos em dívida soberana podem forçar o sector a reforçar ainda mais o seu capital. No limite, os bancos europeus poderão ter que levantar até 135 mil milhões de euros de capital adicional ou vender quase 500 mil milhões de euros de dívida soberana se os reguladores alterarem as regras para quebrar o "círculo vicioso" que cola o risco dos bancos aos seus governos, diz a Fitch.


A nova regulação poderá aumentar em até 30% os requisitos de capital exigidos aos principais bancos europeus, segundo uma nota publicada esta quarta-feira, 8 de Junho, pela Fitch. A crise da dívida soberana europeia veio evidenciar os riscos dos bancos da região deterem elevados montantes de dívida dos seus países nos seus balanços, levando os reguladores a alertar para a necessidade de quebrar este vínculo.


A Comissão Europeia e o Banco Central Europeu já adiantaram que estão a considerar implementar um custo de capital para os bancos que detenham investimentos em dívida soberana. Apesar de tratar-se de uma proposta controversa, que tem originado a contestação de alguns líderes europeus, caso avance esta medida, os bancos poderão ter de reforçar ainda mais o seu capital.


Segundo a Fitch, que cita dados da EBA, os bancos europeus mantinham uma exposição de 2,3 biliões de euros à dívida soberana, sendo que 65% deste investimento era em dívida do seu próprio país. A Fitch realizou as suas previsões com base em cinco cenários, nos quais prevê que os bancos sejam obrigados a levantar entre 12 mil milhões de euros – no cenário menos penalizador para a banca – e um máximo de 135 mil milhões.


Na opinião da agência de notação financeira, a introdução dos limites ao investimento em dívida soberana nacional irá levar os bancos a reduzirem a exposição a estas obrigações, mas também a diversificar o investimento em dívida de outros países da região. Ainda assim, o "research" nota que as autoridades estão conscientes dos riscos destas medidas e serão cautelosas na introdução de novas regras.


A Fitch considera ainda que os bancos mais pequenos, particularmente aqueles que têm concentrações mais elevadas em dívida de países com maior risco, seriam os mais atingidos, incluindo os bancos em Portugal, Itália e Espanha. A agência nota, porém, que os bancos nestes países já têm vindo a reduzir a sua exposição à dívida soberana, com as instituições a anteciparem estas mudanças regulatórias.

Ver comentários
Saber mais bancos Fitch capital dívida soberana risco concentração
Outras Notícias