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Macquarie corta recomendação e avaliação dos bancos portugueses

A Macquarie reviu em baixa a recomendação e avaliação atribuída aos três maiores bancos nacionais cotados. Mas continua a considerar o BES "a melhor opção de investimento" na Península Ibérica.

Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 16 de Julho de 2010 às 11:39
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A recomendação atribuída ao BPI e ao Banco Comercial Português (BCP) desceu de “neutral” para “underperform”. Já o Banco Espírito Santo (BES) viu o seu “rating” descer de “outperform” para “neutral”, continuando a ser apontado como “a melhor opção de investimento no nosso universo de cobertura ibérico”.

Também a avaliação destas três instituições foi revista em baixa. O preço-alvo do BCP desceu de 0,70 euros para 0,58 euros, o que significa que a casa de investimento está a avaliar o banco liderado por Santos Ferreira abaixo do seu actual valor. As acções do BCP seguem subir 1,13% para os 0,628 euros, o que face ao novo "target" corresponde a um potencial de descida de 7,64%.

O “target” do banco liderado por Ricardo Salgado desceu de 3,95 euros para 3,85 euros, o que ainda confere às acções potencial de subida face ao actual valor das acções (3,461 euros) e, no caso do BPI, a avaliação caiu de 1,75 euros para 1,50 euros, um valor que também está abaixo da actual cotação em 4,64%.

“Os bancos portugueses enfrentam riscos para o capital nos próximos trimestres. Acreditamos que os riscos soberano, económico e regulatório podem colocar mais pressão mas actuais posições de capital”, refere a nota de investimento assinada por Benjie Creelan-Sandford e Geoff Dawes.

Para os mesmos especialistas, as avaliações podem ser “visualmente atractivas”, mas a incerteza em relação ao capital deverá funcionar como uma “barreira”. A casa de investimento enumera quatro riscos para os bancos nacionais.

O primeiro deles prende-se com o risco soberano, com a Macquarie a sublinhar que os receios em torno da situação orçamental justificaram o “fraco” desempenho dos bancos portugueses. “O risco directo para o capital é limitado, mas os resultados e sentimento estão em risco”, ressalva a mesma fonte.

O segundo risco é económico, uma vez que “a austeridade orçamental pode afectar uma recuperação económica, causando mais stress nos livros de empréstimos”. A casa de investimento sublinha que considera que Portugal está melhor colocado para uma recuperação do que a Espanha.

O terceiro risco está relacionado com o fundo de pensões, pois os desvios do mercado deverão ter um impacto “negativo”.

A regulação é assumida como um quarto risco, pois as propostas de Basileia III podem também potencialmente “desgastar” a posição de capital regulatória dos três bancos.

“Vemos ricos à posição de capital dos bancos portugueses vindos do stress económico, riscos com o fundo de pensões e regulação”, conclui a casa de investimento que aponta o BCP e o BPI como mais expostos aos mesmos.

“Acreditamos que o BES é o melhor colocado”, ressalvam os analistas que, contudo, alertam para os desafios colocados pelos actuais receios em relação ao risco soberano.

O BCP soma 1,13% para os 0,628 euros, o BES desce 0,29% para os 3,461 euros e o BPI deprecia 0,51% para os 1,573 euros.

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