Bolsa Mais um dia de fortes quedas em Wall Street

Mais um dia de fortes quedas em Wall Street

As bolsas do outro lado do Atlântico encerraram no vermelho, num dia de sobe-e-desce, acabando por pesar as contradições da Administração Trump no que diz respeito às tensões comerciais.
Mais um dia de fortes quedas em Wall Street
Reuters
Carla Pedro 07 de dezembro de 2018 às 21:11

O Dow Jones fechou a cair 2,24% para 24.388,34 pontos e o Standard & Poor’s 500 perdeu 2,33% para 2.633,08 pontos - a registar a pior semana desde Março.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite recuou 3,05% para 6.969,25 pontos.

 

Os principais índices bolsistas abriram em terreno negativo, depois de os novos dados económicos não terem conseguido aliviar os receios em torno da desaceleração económica dos EUA.

 

O crescimento dos empregos abrandou em Novembro e os salários mensais aumentaram menos do que o esperado, o que revela alguma moderação na actividade económica que poderá sustentar a ideia de que a Reserva Federal irá reduzir o seu ritmo de subida das taxas de juro em 2019.

 

O número de contratados aumentou em 155.000 no mês passado, quando os analistas inquiridos pela Reuters apontavam para um incremento médio de 200.000. As empresas do ramo da construção registaram o menor nível de recrutamento dos últimos oito meses, provavelmente devido às temperaturas muito mais baixas do que é o normal na época.

 

Alguma da moderação nas contratações em Novembro pode também dever-se a uma escassez de trabalhadores qualificados. Por sua vez, a remuneração à hora aumentou seis cêntimos de dólar (0,2%).

 

Já a taxa de desemprego manteve-se no nível mais baixo dos últimos 49 anos, nos 3,7%.

 

Entretanto, com o prosseguir da jornada, as bolsas em Wall Street chegaram a conseguir negociar no verde, mas não foi uma tendência sustentada – e muito à conta das mensagens contraditórias sobre comércio passadas por conselheiros do presidente do país, Donald Trump.

 

Larry Kudlow, conselheiro económico da Casa Branca, mostrou optimismo – em declarações à CNBC – relativamente às conversações entre Washington e Pequim no sentido de se chegar a um entendimento em matéria comercial – o que animou o sentimento dos investidores.

 

Mas Peter Navarro, conselheiro comercial de Trump, veio arrefecer os ânimos ao dizer na CNN que os problemas relacionados com o aumento das tarifas aduaneiras não se resolvem no período de tréguas de 90 dias acordado entre as duas partes.

 

Recorde-se que Wall Street abriu a semana em alta, com os investidores a aplaudirem o facto de os presidentes dos EUA e da China terem acordado no dia 1 de Dezembro – à margem do G20 – tréguas de três meses para que as negociações sobre as relações comerciais decorram num contexto mais tranquilo. 

 

Este acordo veio intensificar a expectativa de que Washington e Pequim consigam chegar a um entendimento que ponha termo à aplicação mútua de tarifas aduaneiras adicionais. Contudo, foi sol de pouca dura. E muito à conta de Donald Trump. Isto porque o presidente norte-americano publicou vários tweets, dando a entender que ainda muito caminho a percorrer para um acordo com a China.

 

Entretanto, na quarta-feira as bolsas estiveram encerradas nos EUA, dado ter sido decretado dia de luto nacional pelo falecimento do 41.º presidente do país, George H. W. Bush, e ontem regressaram à negociação também a ceder terreno – com a detenção da directora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, a desencadear um sentimento negativo nos mercados, a par com a queda dos preços do petróleo.

 

Hoje os preços do crude dispararam nos mercados internacionais, depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e seus aliados terem anunciado um corte da oferta na ordem de 1,2 milhões de barris por dia até Abril do próximo ano – o que sustentou as cotadas da energia, mas não o suficiente para manter Wall Street no verde.

Um outro factor continua a ter bastante influência negativa no sentimento dos investidores, especialmente nos EUA: a curva de rendimentos das obrigações norte-americanas está a horizontalizar. Ou seja, os investidores pedem juros para apostar na dívida de curto que estão cada vez mais próximos dos exigidos para o longo prazo. O que costuma indiciar a possibilidade de uma recessão pois os investidores estão a mostrar um maior receio de aplicar o dinheiro no curto prazo.


A juntar ao comércio e aos juros, o rumo da política monetária da Reserva Federal norte-americana tem também centrado as atenções numa altura em que se fala de o banco central poder reduzir o ritmo de subida dos juros em 2019.

A pressionar estiveram sobretudo as tecnológicas e os títulos ligados aos cuidados de saúde.

 




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