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Malparado dispara 39% no crédito ao consumo

O crédito malparado no segmento do consumo está a disparar. O ritmo de crescimento das cobranças duvidosas foi de 39,1% em Fevereiro, quando comparado com o mesmo mês de 2007, enquanto que a concessão de crédito foi de 20,1% no mesmo período.

Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 22 de Abril de 2008 às 09:13

O crédito malparado no segmento do consumo está a disparar. O ritmo de crescimento das cobranças duvidosas foi de 39,1% em Fevereiro, quando comparado com o mesmo mês de 2007, enquanto que a concessão de crédito foi de 20,1% no mesmo período.

O ritmo de crescimento do crédito malparado está a ser superior à concessão de crédito por parte das entidades financeiras nacionais, quer no segmento de habitação, quer no de consumo, o que evidencia dificuldades por parte dos consumidores em conseguirem fazer face às despesas mensais com créditos.

O peso do crédito malparado no segmento de consumo face aos empréstimos concedidos superou mesmo os 4%, em Fevereiro, sendo o nível mais elevado desde Junho de 2005. Com o aumento de 39,1%, o crédito malparado atingiu em Fevereiro os 569 milhões de euros. Face ao mês de Janeiro, o acréscimo foi de 8,6%. Já a concessão de crédito cresceu 20,1% face ao mesmo período do ano passado para os 13,9 mil milhões de euros, mais 1% do que em Janeiro.

Para o presidente da ASFAC, Menezes Rodrigues, "é um facto que o chamado crédito malparado tem aumentado a sua expressão", de acordo com declarações ao Jornal de Negócios. O responsável adianta que "apesar de a situação não ser alarmante, as associadas da ASFAC têm vindo sucessivamente a aperfeiçoar as suas técnicas de análise de risco de crédito", considerando que a educação financeira deve assumir um papel com maior relevo.

Esta evolução é semelhante à que se assiste no crédito à habitação, com a variação homóloga dos incobráveis a superar o crescimento dos créditos concedidos nos últimos três meses. Ainda assim, o peso do crédito malparado neste segmento no total dos empréstimos encontra-se nos 1,29%. Os incobráveis neste segmento atingiram os 1,3 mil milhões de euros, em Fevereiro, mais 10,9% do que em igual período de 2007. Já a concessão de empréstimos aumentou 9,7% superando os 102 mil milhões de euros.

Este crescimento do crédito malparado, superior à concessão de crédito, "poderá ser um sinal em que há mais dificuldade em honrar os compromissos", disse a economista do BPI, Teresa Gil Pinheiro.

Contudo salvaguarda que para se ter uma ideia mais fundamentada será necessário perceber se esta evolução se verifica durante mais tempo. Ainda assim, referiu que a principal causa para o aumento do crédito malparado será a evolução das taxas de juro, que desde 2005 têm vindo a aumentar, primeiro devido às subidas por parte do Banco Central Europeu (BCE) e depois devido à instabilidade que se viveu no sector financeiro. Factores que se reflectem na subida das taxas Euribor, que são os indexantes mais recorrentes nos empréstimos em Portugal.

No total, os saldos dos empréstimos das instituições financeiras a particulares cresceram 10,6% para os 128,9 mil milhões de euros em Fevereiro, face ao período homólogo. O crédito malparado aumentou 10,4% para os 2,39 mil milhões de euros. Mais significativa é a evolução mensal, já que o crédito malparado aumentou mais do que os empréstimos.

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