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Real em mínimos de nove anos e bolsa de São Paulo a recuar 5% após vitória de Dilma

A Ibovespa está a ser arrastada pelas perdas da Petrobras e da Eletrobras que recuam mais de 10%. O valor do real face ao dólar desce 2,6%, o maior recuo desde 2011.

Reuters
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 27 de Outubro de 2014 às 14:11
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Dilma Rousseff vai ficar por mais quatro anos no Palácio do Planalto em Brasília. Mas os mercados estão a reagir de forma negativa à reeleição da candidata pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

 

A bolsa de São Paulo está a perder 5% para 49.324,57 pontos. A Ibovespa está a ser arrastada pelas perdas da petrolífera e da energética estatal. A Petrobras já esteve a cair 15,58% na sessão e agora recua 13,01% para 14,18 reais. Já a Eletrobras desliza 10,83% para 8,15 reais, depois de ter estado a cair 11,93%. Já o estatal Banco do Brasil perde 8,31%, enquanto a Companhia Energética de Minas Gerais recua 11,21%.

 

A bolsa brasileira já perdeu 20% do seu valor depois de ter atingido um valor máximo a 2 de Setembro e está agora a entrar em mercado urso ("bear market"). A última vez que a bolsa tinha entrado em mercado urso foi em Março quando as medidas de estímulo do Governo falharam em surtir efeito na economia real.

 

"A reacção natural dos investidores, neste momento, é vender, estando a prevalecer uma quantidade considerável de nervosismo", disse à Bloomberg Camila Abdelmalack, economista da CM Capital Markets em São Paulo. "A moeda deve deve recuar, ao mesmo tempo que o Ibovespa desvaloriza".

 

O mercado cambial também está a reagir, com a moeda brasileira a registar a maior queda a nível mundial, atingindo mínimos de 2005 face a valores de fecho. O real perdeu 12% do seu valor nos últimos três meses. O valor do dólar face ao real está a subir 2,6% para 2,5371 dólares, a subida mais acentuada em três anos, desde 2011. 

 

Os mercados estão agora à espera que Dilma Rousseff passe das palavras às acções. Em primeiro, quem vai ser o próximo ministro das Finanças. Guido Mantega não avança para o segundo mandato de Dilma Rousseff e existe agora grande especulação sobre quem poderá vir a assumir o cargo.

 

A imprensa brasileira avança hoje com o nome de Luiz Trabuco, presidente executivo do banco Bradesco. Em reacção à vitória de candidata petista, o banqueiro veio a público dizer que a sua reeleição "foi um momento de pacificação e pleno entendimento das responsabilidades à nossa frente".

 

O lote de ministeriáveis inclui Eduardo Loyo - economista-chefe do banco BTG Pactual, que foi representante do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI); Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da Presidente do Brasil; Henrique Meirelles, antigo presidente do Banco Central do Brasil.

 

Em segundo, os mercados estão à espera do anúncio de medidas económicas, tal como a presidente anunciou no seu discurso de vitória. No segundo mandato, Dilma deverá promover alterações na política orçamental, através do fim de alguns reduções fiscais, redução dos estímulos através dos bancos públicos e o aumento de impostos, segundo uma análise da consultora MCM.

 

De fora do baralho, deverão estar quaisquer alterações à política cambial e monetária, não sendo de prever que um possível aperto do cinto dos gastos do Governo tenha um grande efeito na confiança dos investidores.

 

Por outro lado, a presidente deverá regressar aos fundamentais da sua economia, através de incentivos à microeconomia, como cortes de 10 mil milhões de reais nos impostos, mais fundos disponíveis para o banco BNDES, assim como a abertura da concessão de alguns serviços públicos a privados, defende a consultora brasileira Rosenberg numa análise.

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