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Moody's avisa que riscos económicos vão abrandar redução da dívida e do défice portugueses

A agência de "rating" não se pronunciou sobre a dívida portuguesa na sexta-feira, mas emitiu agora um novo relatório sobre o país. Apesar de assinalar o crescimento acima do esperado, vê riscos para o futuro.

“Três irmãs” atribuem a Portugal “rating” dois níveis acima de lixo.
Andrew Kelly/Reuters
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A economia portuguesa está a expandir mais que o esperado, mas os riscos para o crescimento poderão penalizar o objetivo do Governo de diminuir a dívida e o défice no futuro. A expectativa é da agência de notação financeira Moody's, que emitiu um novo relatório sobre o país depois de, na sexta-feira, ter mantido inalterado o "rating" nacional.

"O desempenho económico acima do esperado vai ser limitado pelas pressões inflacionistas e o ambiente externo desafiante", alerta a Moody's. A recuperação da atividade económica em 2021 e na primeira metade deste ano conseguiu compensar o abrandamento da economia no segundo semestre.

Contudo, a agência de notação financeira alerta que "por outro lado, o investimento está a desempenhar um papel mais fraco no crescimento, tendo como pano de fundo o agravamento das condições de financiamento", assim como o "aumento dos custos de produção". A agência destaca ainda o ritmo "lento" da "execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) do país".

Para a Moody's, o principal obstáculo ao crescimento económico nacional irá residir "abrandamento do consumo", uma vez que "a inflação pesa no poder de compra dos consumidores" e torna "os preços da importação das matérias-primas energéticas", o que se traduz "em perdas de investimento" e numa "redução da procura externa de bens e serviços portugueses".

A agência de "rating" salienta ainda que o consumo privado será também pressionado com o aumento dos custos das famílias com as prestações do crédito à habitação, dado o recurso comum às taxas variáveis mais sensíveis às oscilações da Euribor.

No que toca ao défice, o Governo estabelece na proposta do Orçamento para o próximo ano (OE2023) uma meta de 0,9% do PIB, no entanto, a Moody's alerta que a mais que provável extensão das medidas de apoio do Executivo vai limitar a capacidade de alcançar este objetivo.

A agência de "rating" aponta que o défice caia para 1,2% apenas em 2023 devido às "condições económicas mais adversas" que irão "limitar a capacidade de reduzir a despesa pública em percentagem do PIB".

Além disso, "as despesas no setor da saúde continuam a ser uma preocupação", uma vez que "continua a acumular pagamentos em atraso, os quais são depois pagos no final do ano".

Já olhando para o rácio da dívida pública face ao PIB, é de esperar "que caia rapidamente este ano". A Moody's prevê uma queda de 10,4 pontos percentuais para 115% do PIB.

Para os próximos dois anos, esta redução deve continuar, mas a "um ritmo mais lento devido ao ambiente económico mais desafiante". Assim a Moody's acredita que a dívida deve descer para 111,8% do PIB em 2023 e cair para 108,4% em 2024.

A Moody's espera que a taxa anual da inflação "abrande ao longo de 2023", devido ao "efeito base e à estabilização dos preços da energia". Assim, a agência de "rating" espera que a inflação nacional chegue a 11% no final de 2022, para depois descer para 4% no final de 2023.

Na sexta-feira a Moody's tinha uma avaliação a Portugal marcada, mas optou por não se pronunciar sobre a dívida soberana, que se manteve assim no penúltimo grau da categoria de investimento de qualidade (ou seja, dois níveis acima de "lixo"). Já o "outlook" (perspetiva para a evolução da qualidade da dívida) permanece estável.

(Notícia atualizada)
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