Mercados Moody’s: "O crescimento em Portugal está a abrandar, não a acelerar"

Moody’s: "O crescimento em Portugal está a abrandar, não a acelerar"

Apesar da aprovação do Orçamento, os riscos em Portugal são ainda elevados. A Moody's alerta que o crescimento está a abrandar, o que é problemático para o elevado endividamento do Estado. Contudo, salienta que o "rating" da DBRS não será um problema nas compras do BCE.
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André Tanque Jesus 02 de março de 2016 às 10:07

Após ter publicado a sua avaliação ao Orçamento do Estado para 2016 na semana passada, a Moody’s veio a Portugal explicar as suas perspectivas. A agência de notação financeira aponta o dedo ao abrandamento da economia e destaca que são necessárias mais reformas estruturais. Quanto às compras de activos, desvaloriza a dependência de Portugal em relação à DBRS, pois o BCE arranjará uma solução se o "rating" passar a negativo.

"É justo dizer que ainda vemos grandes desafios orçamentais em Portugal", disse Kathrin Muehlbronner, numa apresentação aos investidores que decorreu esta quarta-feira, 2 de Março, em Lisboa. Para a vice-presidente sénior da Moody's e responsável pela notação financeira para Portugal, preocupante é que "o crescimento está a abrandar, não a acelerar", o que é o contrário de outros países que estiveram em crise.


Um dos principais problemas em Portugal, identifica a responsável, é o "o rácio de dívida pública muito elevado". É por isso que "o Governo português ainda precisa de uma consolidação orçamental significativa". E Kathrin Muehlbronner garante: "o crescimento ajuda e muito no que toca ao ajustamento estrutural e à redução da dívida".

E se "as exportações estão a ter um bom desempenho", diz a especialista da agência de "rating", há também a elevada alavancagem das empresas. "As empresas não estão a impulsionar [o crescimento] e os bancos não estão em condições de fazê-lo", defende Kathrin Muehlbronner, "até porque o sector bancário não está forte o suficiente para impulsionar a recuperação".

BCE é importante, mas DBRS não


As compras de activos do BCE estão a pressionar as taxas de juro da dívida portuguesa. "As taxas de juro baixas são um grande ponto positivo para os governos", diz Kathrin Muehlbronner, salientando que, nesse sentido, é "um apoio significativo por parte do BCE".

A responsável da Moody’s para Portugal acredita que "o BCE manterá a política monetária ultra acomodatícia", antecipando que "será um tema importante este ano". Porquê? "No final deste ano, teremos uma situação em que a inflação não descolou", aponta. E com a política monetária a estender-se no tempo, "isto levanta a questão de se os bancos podem ser rentáveis, com taxas de juro tão baixas ou negativas".

Por agora, o mais importante é mesmo o apoio que a actuação do BCE está a dar à dívida portuguesa. Algo que, acredita Kathrin Muehlbronner, não está em risco. Isto porque, se a DBRS colocar a dívida portuguesa em "lixo", "haverá outra forma de o BCE continuar" as compras de activos. "Simplesmente não acredito que o BCE fará essa decisão depender apenas da DBRS, ou da Moody’s, se fosse esse o caso", conclui a especialista.


O que diz a Moody´s sobre o Orçamento do Estado A agência considera que a aprovação do Orçamento do Estado para 2016 é "positiva para o nível de crédito".

O documento pressupõe, segundo a Moody's, um percurso orçamental mais credível do que a primeira proposta e revela uma real união dos partidos de esquerda.

A agência de notação financeira alerta, porém, que o crescimento deverá ser inferior ao esperado e, por isso, o défice deverá rondar os 3%.

"A aprovação do Orçamento é positiva para o nível de crédito", considera Kathrin Muehlbronner. A vice-presidente sénior da Moody’s explica que "reflecte a capacidade e vontade do Governo em fazer uma inversão de marcha e pressupõe um caminho orçamental mais realista do que o apresentado pelo Governo na primeira proposta de Orçamento".

A responsável da agência financeira acrescenta também que a aprovação, concretizada na terça-feira, 23 de Fevereiro, "remove o risco de eleições antecipadas, que teriam sido espoletadas se os partidos de esquerda tivessem votado negativamente".

Contudo, Kathrin Muehlbronner lembra que "a Comissão Europeia ainda acredita que o Orçamento de Portugal está em risco de incumprimento e que irá pedir ao Governo português que implemente medidas adicionais durante o ano, se assim for necessário".

"Acreditamos que o défice orçamental irá acabar por exceder o objectivo do Governo, dadas as nossas previsões de crescimento mais baixas", explica a vice-presidente sénior da agência de "rating". A agência prevê um crescimento do PIB de 1,6%, quando a meta do Executivo é de 1,8%, e um défice orçamental próximo de 3% do PIB este ano.

Além disso, Kathrin Muehlbronner destaca que "está estimado que uma parte importante das poupanças orçamentais venha de uma melhoria na eficiência da administração pública, bem como de um congelamento do consumo público de bens e serviços, algo que vemos como improvável que se verifique completamente". E a responsável acrescenta ainda que, por outro lado, "as medidas estão maioritariamente concentradas no lado das receitas".

(Notícia actualizada às 10:23)




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