Taxas de juro Moody’s sobe rating de Portugal para um nível inferior a lixo

Moody’s sobe rating de Portugal para um nível inferior a lixo

Pela segunda vez no espaço de três meses, a agência de notação financeira melhorou o "rating" de Portugal, que está agora a apenas um nível de sair de lixo. A perspectiva é agora estável.
Moody’s sobe rating de Portugal para um nível inferior a lixo
Bloomberg
Nuno Carregueiro 25 de julho de 2014 às 22:04

A agência de notação financeira Moody’s reviu esta noite o "rating" de Portugal de Ba2 para Ba1, com uma perspectiva "estável".

 

Esta melhoria, que deixa o "rating" de Portugal a apenas um nível de sair de lixo, é a segunda efectuada no espaço de menos de três meses. A 9 de Maio a Moody’s tinha subido o "rating"  para Ba2, tendo na altura colocado a notação financeira em revisão com implicações positivas.

 

É por isso que a Moody’s decidiu agora melhorar de novo o "rating" de Portugal, fora do calendário pré-definido para o fazer e numa altura em que ao colapso do Grupo Espírito Santo voltou a colocar Portugal nos holofotes dos mercados pelas piores razões.

 

Na nota onde anuncia esta revisão do "rating" de Portugal, a Moody´s desvaloriza o impacto desta crise no GES, afirmando que as "incertezas que rodeiam o BES não deverão ter um impacto material" no Estado português.

 

A Moody’s dá conta das duas principais razões para a melhoria na notação financeira da dívida soberana da Portugal.

 

A primeira deve-se ao facto de a agência esperar que "a consolidação orçamental permaneça no caminho certo, apesar das decisões desfavoráveis do Tribunal Constitucional". A Moody’s espera que a descida do défice "suporte uma redução gradual no nível muito elevado da dívida pública nos próximos anos".

 

A segunda diz respeito à "confortável posição de liquidez" que o País apresenta, depois de ter reconquistado o acesso aos mercados financeiros criando uma "almofada de liquidez considerável" e terminado o programa e assistência financeira.

 

Saída do lixo não é para já

 

A Moody’s assinala que a subida do "rating" deixa a classificação da dívida portuguesa a par da de outros países da União Europeia, como a Eslovénia e a Croácia, sendo que as actuais métricas de crédito de Portugal ainda são "inconsistentes" com um rating no grau de investimento (acima de "lixo").

 

No espaço de dois anos Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch reduziram a classificação da dívida pública portuguesa por 14 vezes, num total de 25 níveis. 

 

Depois destes cortes, a Moody’s foi a primeira que em Maio passado elevou a notação para dois níveis abaixo de lixo. A Fitch também tem o rating de Portugal num nível abaixo de lixo (BB+), sendo que a Standard & Poor’s é agora a única que coloca Portugal dois patamares abaixo de lixo (BB, perspectiva estável).

 

Dado que a Fitch tem uma perspectiva "positiva" para o "rating" de Portugal, deverá ser a primeira das "três grandes" a retirar Portugal do "lixo". Esta agência tem prevista para Outubro uma actualização ao "rating" de Portugal.

 

Para retirar Portugal do "lixo", a Moody’s assinala que é preciso uma maior visibilidade do que irá fazer o próximo Governo em termos de consolidação orçamental, uma evidência forte da descida da dívida pública. "Uma forte performance da economia também suportaria uma revisão em alta, pois indicaria que as reformas estruturais implementadas nos últimos três anos estavam a dar fruto", assinala a agência.

 

Pelo contrário, o rating será revisto em baixa se o compromisso deste ou do próximo Governo com a consolidação orçamental "enfraquecer significativamente".

 

Défice de 2014 será cumprido

 

Na nota publicada esta sexta-feira, a Moody’s volta a destacar "o forte compromisso do Governo português na consolidação orçamental", assinalando que já anunciou medidas para substituir as que foram chumbadas pelo TC.

 

Também devido à "folga orçamental" que vem do ano passado, a agência espera que Portugal cumpra a meta de défice de 4% este ano, o que representaria o primeiro excedente primário desde 1997 e colocaria Portugal com défices abaixo de Espanha e Irlanda.

 

Quanto à dívida pública, que em termos líquidos se situa em redor de 120% do PIB, a Moody’s assinala que é um dos constrangimentos para o "rating" e os custos com o pagamento de juros reduzem a margem orçamental do país.

 




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