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Moody’s ameaça cortar "rating" de Portugal em um ou dois níveis (act)

A agência de notação financeira mostra preocupação com a vitalidade da economia, capacidade de acesso aos mercados financeiros e possível necessidade de apoio ao sector financeiro.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 21 de Dezembro de 2010 às 08:10
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A agência de notação financeira mostra preocupação com a vitalidade da economia, capacidade de acesso aos mercados financeiros e possível necessidade de apoio ao sector financeiro.

A Moody’s colocou hoje o “rating” da dívida portuguesa em revisão para possível corte, alertando que este poderá ser de um ou dois níveis.

No documento hoje divulgado, a Moody’s identifica as três preocupações que levaram a agência de notação financeira a ameaçar cortar o “rating”, afirmando que a dimensão da redução poderá ser de um ou dois níveis.

Portugal tem actualmente um “rating” de A1, sendo que se materializar o corte mais agressivo, Portugal passará a ter um “rating” de A3. A 5 de Maio a Moody's tinha colocado o "rating" de Portugal em revisão, tendo reduzido a notação para de Aa2 para A1 (dois níveis) a 13 de Julho.

A 17 de Dezembro a agência cortou o “rating” da Irlanda em cinco níveis e na véspera ameaçou cortar o “rating” da Grécia. A 15 de Dezembro também tinha colocado o “rating” da Espanha em revisão. No início deste mês a Standard & Poor´s tinha igualmente colocado o “rating” da dívida da República Portuguesa de longo e curto prazo “sob vigilância com implicações negativas”.

Economia, juros e banca

A primeira das preocupações identificadas pela Moody’s diz respeito às “incertezas quanto à vitalidade da economia portuguesa no longo prazo, que podem ser exacerbadas pelo impacto da austeridade orçamental”.

Diz a Moody’s que o fraco crescimento económico, devido sobretudo à frágil procura interna, é um motivo de preocupação. “Além disso, as pressões deflacionistas em resultado da consolidação orçamental e da desalavancagem da banca, colocam pressão adicional no crescimento do PIB”, refere o relatório.

A segunda preocupação assinalada pela Moody’s diz respeito à capacidade de Portugal aceder ao mercado de capitais a um preço “sustentável”. A agência de notação financeira alerta para o custo que o Governo pode ter que pagar para se financiar nos mercados ao longo dos próximos anos.

O analista Anthony Thomas lembra que Portugal tem conseguido acesso ao mercado de capitais, mas adverte que “tem pago um preço elevado, que se for prolongado, vai aumentar substancialmente o serviço da devida ao longo do tempo”.

A última questão assinalada pela Moody’s diz respeito ao aumento dos “desafios” que enfrenta o sector bancário, que podem “ter um impacto nas contas públicas”.

A Moody’s assinala a dependência da banca do financiamento junto do BCE e admite que o Governo tenha que providenciar “mais apoio” aos bancos, de modo a que estes possam ganhar a confiança dos mercados e assim voltarem a obter financiamento no mercado.

“Apesar de até agora o sector financeiro tenha necessitado de muito pouca assistência do Governo, qualquer ajuda que seja necessária no futuro pode afectar as metas orçamentais do Governo”, refere a Moody’s.

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