Bolsa Mota-Engil foi a estrela do PSI-20 em ano negro para os CTT

Mota-Engil foi a estrela do PSI-20 em ano negro para os CTT

A bolsa nacional completou o seu melhor ano desde 2013 com uma valorização de 15%, a segunda melhor entre as principais congéneres europeias.
Rita Faria 30 de dezembro de 2017 às 11:00

Desde 2013 que a bolsa nacional não fechava Dezembro com um saldo anual tão positivo. No ano em que o país se "livrou" dos défices excessivos, saiu do "lixo" para duas das três grandes agências de rating, e que deverá crescer ao melhor ritmo em 17 anos, o PSI-20 acumulou uma valorização superior a 15%.

A subida colocou o principal índice nacional no pódio da Europa, onde é superado apenas pela bolsa de Atenas, que ganhou cerca de 20%. Em comparação com o índice de referência para a Europa, o crescimento do PSI-20 é praticamente o dobro: o saldo do Stoxx600 foi de 7,68%.

Depois de ter perdido dois membros - o BPI e as unidades de participação do Montepio – e ganho outros dois – a Ibersol e a Novabase – o índice português de 18 membros recuperou da perda registada em 2016, de 11,93%, e fechou o ano com apenas quatro cotadas com saldo negativo: a EDP, a REN, a Nos e os CTT.

Para os restantes 14 membros, o ano foi de ganhos. Após três anos de perdas anuais, o BCP fechou com uma valorização de 47% no ano de 2017, que foi risonho também para as cotadas do sector da pasta e do papel: Altri, Semapa e Navigator ganharam mais de 30%.

No entanto, a grande estrela da bolsa nacional foi a Mota-Engil, que viu o seu valor mais do que duplicar face ao início de Janeiro.

Março foi o melhor mês de 2017 para o PSI-20, com o índice a valorizar 7,74% e a ultrapassar a marca dos 5 mil pontos. Pelo contrário, Janeiro foi o pior, com uma queda de 4,36%.

Mota-Engil mais do que duplica o seu valor em 2017   

Entre as 18 cotadas do PSI-20, a Mota-Engil foi a líder destacada de 2017, tendo visto o seu valor em bolsa mais do que duplicar durante o ano.

A construtora liderada por Gonçalo Moura Martins valorizou mais de 127% desde o início de Janeiro e atingiu a 7 de Dezembro o seu valor mais alto desde 2014, nos 3,86 euros.

A Mota-Engil beneficiou não só da descida do risco de Portugal, como dos contratos que garantiu ao longo do ano em várias geografias, com foco em África.

Considerando os 44 membros do PSI geral, a valorização da Mota-Engil fica, contudo, muito aquém da da Grão-Pará: a empresa disparou 2.400% só num ano.

CTT batem mínimos sucessivos

Se a Mota-Engil foi a grande estrela do ano, os CTT ocupam precisamente o lugar oposto. A empresa de correios foi a que mais desvalorizou em 2017, ano em que atingiu sucessivos mínimos históricos.

A confirmação de que a empresa não seria capaz de manter a sua política de dividendos, nem tão pouco cumprir as suas metas de resultados levaram os títulos a perder mais de 45% do seu valor em bolsa.

A 29 de Novembro, as acções atingiram o valor mais baixo de sempre, nos 3,012 euros, e a 19 de Dezembro a companhia apresentou o seu plano de reestruturação, com vista à redução de custos. O plano prevê, entre outras medidas, a saída de 800 trabalhadores em três anos e cortes nas remuneração da administração.

Este foi o desempenho das cotadas do PSI-20 na bolsa em 2017:

Tendo em conta todas as cotadas do PSI Geral, a Grão-Pará foi a cotada com o melho desempenho, surgindo depois a Toyota Caetano e a Sonae Indústria. No pólo oposto está a Reditus.