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Movimentos independentistas impulsionam juros da dívida por toda a Europa

Os juros da dívida portuguesa sobem pela segunda sessão consecutiva, acompanhando a tendência dos países europeus. O referendo na Escócia e as dúvidas sobre a realização de consulta semelhante em Espanha estão a preocupar os investidores.

Reuters
Rita Faria afaria@negocios.pt 09 de Setembro de 2014 às 16:36
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Os movimentos independentistas da Escócia e da região da Catalunha, em Espanha, estão a impulsionar os juros da dívida dos países europeus, desde a periferia até ao centro, esta terça-feira, 9 de Setembro.

 

Em Portugal, os juros da dívida a dois anos avançam 1,8 pontos base para 0,557%, enquanto a "yield" associada à dívida a cinco anos sobe 4,6 pontos base para 1,653%. Já os juros da dívida a dez anos, o prazo de referência, agravam-se pela segunda sessão consecutiva, com um avanço de 7,5 pontos base para 3,155%.

 

Além dos juros, também o risco de Portugal, medido através de uma ponderação entre a dívida portuguesa e a alemã, sobe 3,5 pontos para 214,2 pontos. Este "spread", ou prémio de risco, mede o preço exigido pelos investidores para comprarem dívida portuguesa em detrimento da alemã.

 

A tendência de agravamento repete-se nos restantes mercados obrigacionistas da Europa, com destaque para Espanha, onde as subidas são mais expressivas. A "yield" associada à dívida a cinco anos avança 10,6 pontos base para 0,958% enquanto a dez anos, o agravamento é de 12 pontos base para 2,208%.

 

Isto numa altura em que se discute, no país vizinho, se o referendo sobre a independência da Catalunha avança no dia 9 de Novembro. O presidente da Esquerra Republicana de Catalunya, Oriol Junqueras, incitou mesmo, esta terça-feira, à "desobediência civil" no caso de o Tribunal Constitucional vetar a realização do referendo.

 

As declarações de Junqueras surgiram um dia depois de o chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, ter garantido que estão prontas "todas as medidas" para travar a realização da consulta popular.

 

Já no Reino Unido está confirmada, há muito, a realização do referendo sobre a independência da Escócia para o próximo dia 18 de Setembro. À medida que o "grande dia" se aproxima mais sondagens são divulgadas. Se no domingo, 7 de Setembro, uma sondagem publicada pelo jornal britânico Sunday Times dava conta de uma vitória daqueles que estavam a favor da independência da Escócia (o "sim" obteve 51% das intenções de voto e o "não" 49%), esta segunda-feira à noite, 8 de Setembro, foi revelado uma outra que vai em sentido contrário. Em comum têm o facto de as posições estarem muito próximas.

 

A sondagem da TNS desta segunda-feira mostra que o "não" obteve 39% das intenções de voto. E o "sim" 38% dos votos. Além disso, e apesar de mostrar que o "não" reúne a maior fatia das posições, a sondagem revela que o "sim" à independência está a ganhar, cada vez mais, terreno.

 

"É uma questão de levantar a bandeira para um maior risco de eventos de crédito", disse à Bloomberg, Harvinder Sian, estratega do Royal Bank of Scotland. "Enquanto o Governo do Reino Unido decidiu garantir toda a dívida do Governo, a região da Catalunha é demasiado grande para que o resto da Espanha consiga absorver. É uma questão muito mais problemática para Espanha em relação ao seu mercado de dívida".  

 

O Governo do Reino Unido já declarou que, em caso de independência da Escócia, vai, de qualquer forma, assumir e honrar a dívida do Reino Unido, o que deverá conduzir a uma subida do rácio da dívida, como aliás, já foi alertado pela Fitch em Abril.

 

Quer isto dizer que, num cenário de separação da Escócia do Reino Unido, o novo Estado não levará consigo a sua "quota-parte" da dívida britânica (portanto, a dívida do Reino Unido permanece a mesma) mas, no entanto, deixará de contar para o PIB (logo, o PIB do Reino Unido será menor). Assim, o nível de dívida do Reino Unido será mais elevado, uma vez que, na fracção que relaciona a dívida em proporção do PIB, o numerador será o mesmo (a dívida) enquanto o denominador será inferior (PIB).

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