Bolsa Bolsas americanas comemoram 9.º aniversário de "bull market" com recorde do Nasdaq

Bolsas americanas comemoram 9.º aniversário de "bull market" com recorde do Nasdaq

As bolsas norte-americanas encerraram em terreno positivo, com o Nasdaq Composite a marcar novos máximos históricos, no dia em que se celebra o 9.º aniversário do mercado touro. O abrandamento da subida dos salários fez diminuir os receios quanto ao ritmo de subida da inflação, o que, por sua vez, poderá manter a Fed na via de uma subida gradual dos juros.
Carla Pedro 09 de março de 2018 às 21:13

No dia em que celebraram o nono aniversário da entrada em "bull market", naquele que é o segundo mais longo período de mercado touro (quando se dá uma subida de pelo menos 20% face ao último mínimo) da bolsa de Nova Iorque desde a Segunda Guerra Mundial [o recorde pertence ao período de nove anos e cinco meses compreendido entre 11 de Outubro de 1990 e 24 de Março de 2000 - quando se deu o estoiro das dot.com, na chamada bolha tecnológica], as bolsas de Wall Street comemoraram com subidas próximas de 2%.

 

O tecnológico Nasdaq Composite foi a estrela da sessão bolsista desta sexta-feira no outro lado do Atlântico. O índice fechou a somar 1,79% para 7.560,81 pontos, naquele que foi simultaneamente um recorde de fecho e um novo máximo de sempre. O último máximo histórico tinha sido marcado no passado dia 26 de Janeiro.

 

Por seu lado, o Dow Jones avançou 1,77% para 25.335,74 pontos e o Standard & Poor’s 500 subiu 1,74% para 2.786,57 pontos – a menos de 100 pontos do máximo histórico, nos 7.872,87 pontos.

Recorde-se que no dia 9 de Março de 2009, o S&P 500 marcou um mínimo nos 666 pontos, patamar onde o principal índice norte-americano tocou no fundo, num dos piores momentos da crise financeira que abalou os mercados há quase uma década [e que ficou conhecida como Grande Depressão].

Nove anos depois, os investidores questionam-se sobre o que poderá acontecer no segundo mercado altista mais longo da história da bolsa de Nova Iorque, apenas superado pelo referido período de 1990 a 2000 (interrompido com o estoiro da bolha tecnológica) – podendo este último ser suplantado pelo actual ciclo já a partir de Junho. Nestes nove anos, o S&P 500 valorizou 309%.

Há quem fale num outro bull market, entre 1947 a 1961, mas essa análise falha o bear market de 1956 e 1957, pelo que só há neste momento um mercado touro mais prolongado do que o actual [apesar de o S&P 500 só ter nascido, tal como é hoje, em 1957, os analistas reconstruíram aquilo que acreditaram que o S&P 500 teria sido, com base nos anteriores índices Standard & Poor's e outros dados, para poderem chegar a essa conclusão; se falarmos no Dow Jones e regressarmos a períodos anteriores à II Grande Guerra, temos também um super bull market entre 1920 e 1929 - terminado com o crash da célebre quinta-feira negra de 24 de Outubro].

Mas, se a tendência continuar a ser de subida, será por pouco tempo que o ciclo 1990-2000 se manterá na liderança.

Com efeito, bastarão mais alguns meses a conseguir evitar cair 20% face aos mais recentes máximos históricos (de 26 de Janeiro, no caso do Dow Jones e S&P 500) para que este novo touro se sagre o grande vencedor dos movimentos altistas.

Este ano, o mês de Janeiro foi promissor, ao passo que o de Fevereiro levou muitas bolsas ao chão. Março está agora a ser de volatilidade mas a apontar para um movimento ascendente.

 

Na sessão de hoje, foram sobretudo os dados do mercado laboral que dominaram as atenções dos investidores. E se o emprego aumentou, o ritmo de subida dos salários desacelerou, o que contribuiu para o optimismo geral.

 

No mês de Fevereiro, o crescimento do emprego nos EUA registou o maior aumento em mais de um ano e meio, segundo os dados divulgados esta sexta-feira.

O número de contratações – excluindo o sector agrícola – aumentou em 313.000, com o impulso a ser dado pela maior subida de empregos na construção desde 2016. Ficou, assim, bastante acima dos cerca de 100.000 novos empregos por mês que a economia norte-americana precisa de criar para manter o ritmo de crescimento junto da população em idade activa.

 

Este aumento do emprego, por si só, poderia provocar receios de uma aceleração do ritmo de subida dos juros por parte da Fed, numa altura em que cresce a convicção de que este ano o banco central procederá a quatro aumentos – com o consenso do mercado a estimar que o primeiro deles seja já na reunião deste mês.

 

No entanto, os dados hoje apresentados revelaram também um abrandamento no aumento dos salários, o que aponta para uma subida gradual da inflação este ano – recorde-se que a Fed estimou em Janeiro que, no final de 2018, a inflação no país possa já estar na meta de 2% definida pelo banco central, mas estes números relativos aos salários travam os receios de que o aumento dos preços se dê de forma muito acelerada. 

A desaceleração na subida dos salários aliviou o temor de que a Reserva Federal, agora liderada por Jerome Powell, se decidisse por uma subida agressiva dos juros.

 

Por outro lado, as novidades surgidas na quinta-feira no plano comercial não tiveram grande influência no sentimento dos investidores, uma vez que se espera por mais pormenores relativamente à imposição das tarifas norte-americanas sobre o aço e alumínio exportado para os Estados Unidos.

 

Já o anúncio de um encontro entre os líderes da Coreia do Norte e dos EUA [que poderá acontecer já em Maio] – relançou algum optimismo, uma vez que a aproximação de ambos poderá solucionar o impasse relativamente à desnuclearização de Pyongyang e que tem provocado grande tensão entre Pyongyang e Washington.

(notícia actualizada pela última vez às 23:57)

 




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