Bolsa Navigator desvaloriza após cancelar dividendo, recorrer ao "lay off" e baixar lucros

Navigator desvaloriza após cancelar dividendo, recorrer ao "lay off" e baixar lucros

Os resultados líquidos da Navigator desceram 37,9% para 30,6 milhões de euros e a empresa renovou, até ao final de junho, a redução parcial de produção de papel de impressão e escrita. AS ações abriram em forte quedas mas depois recuperaram.
Navigator desvaloriza após cancelar dividendo, recorrer ao "lay off" e baixar lucros
Nuno Carregueiro 21 de maio de 2020 às 08:04

As ações da Navigator estão a reagir em queda às novidades anunciadas pela companhia na noite de quarta-feira, que mostram o impacto da pandemia da covid-19 na atividade da empresa.

 

A fabricante de papel anunciou que renovou, até ao final de junho, a redução parcial de produção de papel de impressão e escrita e que irá recorrer ao regime do lay-off simplificado durante o próximo mês, sendo o número de colaboradores afetados de 1.201.

 

Com o recurso ao "lay off", a Navigator teve de avançar com o cancelamento de dividendos aos acionistas, optando por transferir a remuneração prevista de 100 milhões de euros para reservas livres. Também ontem a Navigator anunciou que os lucros do primeiro trimestre desceram 37,9% para 30,6 milhões de euros.

 

Em reação a estas notícias adversas, as ações da Navigator abriram a desvalorizar 4,86% para 2,152 euros. Chegaram a cair um máximo de 5,75% para 2,132 euros, mas encetaram depois uma tendência de recuperação, seguindo uma hora depois da abertura a recuar apenas 0,8% para 2,244 euros. Desde o início do ano a cotada desvaloriza 34,93%.

Os analistas do CaixaBank BPI assinalam que o EBITDA da empresa no primeiro trimestre ficou acima do esperado, mas que a companhia deverá prolongar os cortes de produção além de junho, uma vez que as escolhas e as maiorias dos escritórios só devem regressar a níveis próximos da normalidade em setembro. 

Em março a Navigator tinha previsto avançar com o pagamento de um dividendo de 13,94 cêntimos por ação, o que totaliza 100 milhões de euros. Em janeiro a empresa já pagou um dividendo de 13,94 cêntimos, através da distribuição de reservas livres.

 

"Por razões de prudência ante a evolução da situação e também por decorrência do recurso ao Lay-off simplificado, é retirado a proposta relativa à aplicação de resultados a ser discutida na Assembleia Geral anual da Sociedade agendada para dia 28 de maio de 2020", refere a empresa no comunicado onde anuncia os resultados do primeiro trimestre.

 

A este dividendo, que seria para aprovar na assembleia geral de 28 de maio, correspondia uma rendibilidade acima de 6%.

 

A Navigator junta-se assim a outras cotadas do PSI-20 que decidiram recuar na intenção de pagar dividendos devido ao efeito da pandemia na sua atividade. O BCP foi o primeiro a avançar neste sentido, sendo os CTT, a Sonae Capital e a Novabase também decidiram suspender a remuneração.

 

No comunicado com a apresentação de resultados, a Navigator adianta que até ao momento, o volume vendido está em linha com o que foi inicialmente projetado ainda em março, tendo o volume de vendas de papel de impressão e escrita em abril diminuído 22% face ao mês homólogo,  enquanto a queda conjunta dos quatro primeiros meses do ano em comparação com 2019 é de apenas 2%.

 

No segundo trimestre "as vendas do grupo podem ser condicionadas pelo anúncio de reduções dos plafonds de cobertura de seguro de crédito a importantes clientes, nas áreas de negócio de papel, pasta e tissue". 

(notícia atualizada com novas cotações e comentário de analistas)




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