Taxas de juro No Reino Unido já se celebram os 50 anos das Eurobonds

No Reino Unido já se celebram os 50 anos das Eurobonds

Enquanto na Europa Continental se discutem os méritos das obrigações soberanas conjuntas que são defendidas como resposta à crise, o Reino Unido veste-se de gala para celebrar o lançamento das primeiras obrigações europeias (Eurobonds) que, há 50 anos, permitiam escapar a um emaranhado fiscal e burocrático.
No Reino Unido já se celebram os 50 anos das Eurobonds
Chris Ratcliffe/Bloomberg
Hugo Paula 24 de junho de 2013 às 20:08

Há 50 anos, Siegmund Warburg criou os títulos de dívida empresarial denominada em dólares que ficariam conhecidas por Eurobonds. Os títulos diferem das emissões conjuntas que muitos defendem ser a resposta da Europa para a crise do euro mas um dos seus criadores disse à Bloomberg que a solução foi criada para solucionar desafios não muito diferentes dos actuais.

 

Os primeiros títulos a serem conhecidos por Eurobons consistiam em obrigações denominadas em dólares mas emitidas a partir da Europa. O seu estatuto "estrangeiro" permitia aos investidores que as detivessem evitar a retenção na fonte dos impostos sobre o pagamento de juros.

 

A finalidade era evitar a dupla tributação dos investidores norte-americanos, mas a verdade é que se criou um mercado de obrigações para captar os dólares norte-americanos que, por um motivo ou outro, se encontravam parqueados na Europa.

 

A história das primeiras Eurobonds é também ela europeia: Siegmund Warburg era um banqueiro judeu que fugiu da Alemanha do Terceiro Reich e criou um banco no Reino Unido. Este, intermediou o primeiro leilão de Eurobonds em nome da operadora italiana de auto-estradas, Autostrade, SpA, em 1 de Julho de 1963. 

 

A criação das Eurobonds terão sido um passo na globalização dos mercados financeiros tal como nós os conhecemos. Mas, se hoje há quem defenda que existe pouca regulação nos mercados, o problema que levou à criação destes títulos foi o da regulação excessiva, segundo um dos criadores da emissão.

 

Era um mercado de burocracias, de regras, de impostos de selo e de tudo para nos dificultar a vida.
Peter Spira, banqueiro de investimentos,
acerca da regulação no mercado financeiro em 1963

 

“Era um mercado de burocracias, de regras, de impostos de selo e de tudo para nos dificultar a vida. Combatemos uma batalha longa mas acabámos por vencer”, disse Peter Spira, contabilista que trabalhou na transacção com obrigações da Autostrade.

 

A primeira emissão destas Eurobonds foi da Autostrade SpA para se financiar em 15 milhões de dólares. Para comemorar os 50 anos das Eurobonds, o Hotel Savoy vai acolher um jantar com o código de vestuário “black-tie”, usado para designar um evento cerimonioso.

 

O mercado de obrigações europeias ainda existe, e contou com um volume máximo de 4,5 biliões de dólares em 2009. Contudo, a sua existência poderá voltar a estar ameaçada num futuro próximo, com a introdução de taxas sobre transacções na Europa, segundo a Bloomberg. 

 

“A grande vantagem das Eurobonds é, de longe, permitir evitar a retenção na fonte” de impostos sobre os juros pagos, disse Chris O’Malley, conselheiro do órgão de auto-regulação do mercado financeiro ICMA. A introdução de uma taxa sobre as transacções de obrigações, como tem sido proposta pela União Europeia, poderá penalizar o mercado destas Eurobonds, já que poderão sujeitar os seus titulares à dupla tributação.




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