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OPEP deve deixar quotas inalteradas e marcar reunião extraordinária para Novembro

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que tem a conferência de Outono marcada para o final do dia de hoje em Viena, poderá agendar uma reunião extraordinária para Novembro. Nos mercados o petróleo aproxima-se dos 100 dólares.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 09 de Setembro de 2008 às 15:59
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A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que tem a conferência de Outono marcada para o final do dia em Viena, poderá agendar uma reunião extraordinária para Novembro.

Segundo declarações de um delegado da OPEP à Agenzia Giornalistica Italia, o cartel poderá reunir-se antes do encontro fixado para 17 de Dezembro em Oran, na Argélia, uma vez que vários membros do cartel receiam que o mercado possa estar sobrecarregado dentro de dois meses e os preços sob pressão.

Da reunião de hoje, que só tem início às 21h locais (19 horas em Lisboa) devido ao Ramadão, não se espera uma mexida no actual plafond de produção, que é de de 29,673 milhões de barris por dia, salienta a Reuters Africa.

Esta quota global, fixada para 12 dos 13 membros da OPEP – o Iraque não tem quota, devido ao regime do programa ‘petróleo por comida’ imposto pelas Nações Unidas desde a invasão do Koweit em 1990 – é excedida em quase 600.000 barris por dia, já que a produção efectiva de Agosto foi de 30,265 milhões diários. Ou seja, a OPEP pode reduzir este excedente, sem ter que diminuir o seu plafond.

Grande parte da actual sobreprodução da OPEP provém da Arábia Saudita, que em Junho passado anunciou um aumento da sua produção em 500 mil barris por dia para travar a forte subida dos preços que estava a verificar-se nos mercados. Entre Julho e Agosto, a Arábia Saudita diminuiu em 100.000 barris diários a sua produção, mas continua a superar a quota que lhe foi fixada.

O Irão, a Venezuela e a Líbia mostravam-se a favor de um corte da produção, mas o ministro venezuelano da Energia, Rafael Ramirez, afirmou hoje à Bloomberg que concorda com o actual nível. Além disso, o seu homólogo saudita, Ali al-Naimi, também declarou que o mercado está “muito bem equilibrado”, o que deixa antever a manutenção do actual tecto de produção do cartel.

A maioria dos países exportadores não quer fazer subir muito mais os preços, porque isso pode levar a uma retracção da procura nos principais países importadores, cujas economias estão já em desaceleração.

A previsão de um “status quo” nas quotas da OPEP e a perda de intensidade do furacão Ike, que passou para categoria 1 (o que alivia os receios de grandes danos nas plataformas petrolíferas à sua passagem pelo Golfo do México), bem como a desvalorização do euro face ao dólar, estão a contribuir para a descida das cotações do crude.

Preços em queda

O contrato de Outubro do West Texas Intermediate (WTI) seguia a cair 1,97% no mercado nova-iorquino, para 104,24 dólares por barril. As cotações já estiveram hoje nos 103,85 dólares, o nível mais baixo desde 3 de Abril.

Em Londres, o Brent do Mar do Norte cedia 1,68%, para 101,70 dólares por barril, tendo já tocado nos 101,27 dólares – o valor mais baixo desde 2 de Abril. Este contrato perde terreno há nove dias consecutivos, o que corresponde ao período de quedas mais longo desde 1988.

Os preços do petróleo atingiram sucessivos máximos históricos ao longo deste ano. Logo na primeira sessão de 2008, tocaram nos 100 dólares durante um minuto e na sessão seguinte superaram a mítica barreira dos três dígitos. A 11 de Julho, marcaram o nível mais alto de sempre – 147,50 dólares em Londres e 147,27 dólares em Nova Iorque – e desde então têm estado a cair, com muitos analistas a falarem no estoiro de uma bolha especulativa. Desde os recordes, os preços já cederam cerca de 29%.

Nader Naeimi, estratega de investimento da AMP Capital Investors, comentou ao Negócios que “é apenas uma questão de tempo até que o petróleo quebre a fasquia dos 100 dólares por barril”.

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