Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

OPEP prepara novos cortes na produção para manter preços elevados

A Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) deverá voltar a cortar as quotas oficiais de produção já em Janeiro, segundo as previsões dos analistas do Centre for Global Energy Studies (CGES). O objectivo é manter elevados os preços do petróleo

Ruben Bicho rbicho@mediafin.pt 20 de Dezembro de 2004 às 13:23
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

A Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) deverá voltar a cortar as quotas oficiais de produção já em Janeiro, segundo as previsões dos analistas do Centre for Global Energy Studies (CGES). O objectivo é manter elevados os preços do petróleo.

A decisão da OPEP de reduzir a produção de petróleo, anunciada após a reunião do cartel no passado dia 10, teve como base o aumento recente dos inventários petrolíferos dos Estados Unidos, mas os analistas do CGES apelidam esta decisão de «prematura».

«Olhar para o nível absoluto dos inventários revela apenas parte da imagem. A cobertura [em dias] que estas reservas proporcionam é mais importante. Os destilados dos EUA oferecem menos cinco dias de cobertura do que o normal para esta época do ano e as reservas de crude têm um dia menos de cobertura», adiantam os analistas.

A explicação para a opção da OPEP de começar a cortar os níveis de produção está então, dizem os analistas, no interesse do cartel de manter os preços do petróleo elevados. «A Arábia Saudita precisa dos preços bem acima dos 30 dólares por barril para reduzir dívidas e compensar os custos mais elevados com a segurança. Os outros países da OPEP estão sempre a precisar de dinheiro», refere o relatório mensal da instituição britânica.

Esta situação deverá fazer com que a OPEP procure manter o mercado petrolífero com uma curta margem de manobra ao longo de 2005, já que assim o cartel «só ganha, porque consegue gerar dinheiro e não precisa de investimentos em novas estruturas», acrescentam os analistas.

O cartel deverá cortar novamente a produção já em Janeiro, aguardando depois pelas reacções do mercado e por situações imprevistas (como actos de terrorismo ou fenómenos naturais) para gerir as quotas de forma a manter os preços elevados.

«Só o choque de uma recessão global ou o ressurgimento em pleno da economia iraquiana irão fazer a OPEP reconsiderar a sua política. No entanto, a primeira situação é pouco provável e a segunda só devera acontecer a longo prazo», diz o CGES.

O «brent» [co1] seguia a perder 1,41% para os 42,78 dólares e o crude [cl1], em Nova Iorque, cedia 0,86% para os 45,88 dólares.

Ver comentários
Outras Notícias