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OPEP surpreende com acordo para limitar produção. Petróleo dispara

As cotações do crude seguem a escalar 6,5% em Londres e perto de 5% em Nova Iorque, depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo anunciar um acordo para limitar a produção da matéria-prima a 32,5 milhões de barris por dia.

Bloomberg
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 28 de Setembro de 2016 às 19:41
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Contra a generalidade das expectativas, os membros da OPEP chegaram a acordo para limitar a produção, algo que não acontecia há oito anos. Com a proposta da Argélia de reduzir a produção do cartel em 796.000 barris por dia - uma queda de 2,4% face aos níveis de Agosto - o tecto ficou agora em 32,5 milhões de barris por dia. Irão, Líbia e Nigéria terão alocações especiais, avança a Bloomberg.

O consenso de mercado apontava para que não houvesse, uma vez mais, acordo na OPEP. Mas o cartel surpreendeu tudo e todos esta quarta-feira, ao anunciar em Argel – onde os membros estão reunidos - que chegou a um plafond de produção que corresponde a um corte da oferta no mercado.

 

O Irão, depois de anos de sanções, regressou recentemente ao mercado e disse não querer abrir mão do processo de recuperação dos seus níveis anteriores de produção. Além disso, o mercado está também a receber mais crude por parte da Líbia e da Nigéria, cujas exportações foram reduzidas devido a conflitos internos e que estão agora a retomar – o que agrava ainda mais o desequilíbrio entre a oferta e a procura mundial.

 

Segundo a Bloomberg, estão a ser alinhavadas alocações especiais para as quotas de produção destes países. O Irão será autorizado, de acordo com as informações que estão a ser avançadas, a aumentar a sua produção para 3,7 milhões de barris por dia, uma vez que a sua quota será calculada a partir de uma média daquilo que produziu entre 2001 e 2011. Até agora, Teerão tem insistido em ter um tecto de produção em torno dos 4 milhões de barris/dia.

 

Quanto à Líbia e à Nigéria, deverão ficar excluídas de quotas fixas, dadas as suas circunstâncias excepcionais, refere o documento a que a Bloomberg teve acesso.

 

Concretamente, o que se altera é o facto de haver novamente uma quota de produção total definida para a OPEP - responsável por cerca de 40% do petróleo produzido a nível mundial. A organização tinha o seu plafond estabelecido desde há dois anos nos 30 milhões de barris por dia e nas últimas reuniões preferiu sempre não se pronunciar quanto a um novo tecto.

 

O problema é que este limite não era respeitado. Em Agosto, por exemplo, a produção foi de 33,2 milhões de barris diários. Agora, ao estabelecer a quota nos 32,5 milhões, o cartel compromete-se, oficialmente, a reduzir os seus excessos. E essa era uma decisão [corte de produção] que não tomava há oito anos.

 

"A política de dois anos, liderada pela Arábia Saudita, de produzir ’à vontade’, acabou", sublinha a Bloomberg.

 

Esta manhã, Riade – cuja produção fica estabelecida em 10,145 milhões de barris por dia - já tinha deixado antever que este acordo talvez fosse possível [apesar de o cepticismo se manter], ao mostrar abertura para um compromisso com o Irão.

 

Há, agora, que cumprir estas novas quotas, para que se reduza o excedente de oferta mundial e os preços possam voltar a subir. Para o quarto trimestre de 2016, o Goldman Sachs estimava ontem um excedente global de 400 mil barris por dia na oferta de petróleo [contra 300 mil previstos anteriormente].

 

O contrato de Novembro do West Texas Intermediate (WTI), "benchmark" para os EUA, segue a somar 4,88%, para 46,85 dólares por barril.

 

Em Londres, o Brent do Mar do Norte - crude que serve de referência às importações portuguesas – para entrega em Novembro dispara 6,5%, seguindo a valer 48,96 dólares por barril.

 

Produção, preços e quota de mercado Uma vez que o cartel é responsável por cerca de 40% do petróleo produzido a nível mundial, quanto mais "ouro negro" faz jorrar no mercado, maior é a pressão baixista sobre os preços. Atendendo a que estes países dependem grandemente das exportações de crude, vão produzindo mais para obterem maiores receitas. É um ciclo vicioso. No entanto, há o outro lado da moeda: quanto mais crude entra no mercado, mais o preço desce, o que penaliza fortemente estas economias - Venezuela e Angola são disso um forte exemplo.

Mas por que razão é que a OPEP esteve tantos anos sem reduzir a oferta para fazer subir os preços? A resposta é simples: ganhar mais quota de mercado. A OPEP tem estado apostada em que sejam os EUA e outros produtores a responsabilizarem-se pela redução da oferta excedentária.

Uma das razões que vinham a ser apontadas pela Arábia Saudita para não se cortar o plafond de produção do cartel residia precisamente no ímpeto produtor dos norte-americanos. Segundo os sauditas, se os preços continuarem baixos, não compensará produzir petróleo a partir de xisto betuminoso, visto que são operações com um processamento muito dispendioso. Ora, tal como acontece com o petróleo do pré-sal brasileiro, que é prospeccionado a grandes profundidades, se as cotações do crude não estiverem num determinado patamar, não compensa estar a apostar numa extracção que sai muito dispendiosa.

No entanto, os planos sauditas têm saído gorados. É que os Estados Unidos decidiram permitir que se possa vender crude ultra-ligeiro ao estrangeiro sem ser necessária a aprovação do Governo, o que deu um incentivo à produção, impulsionando a capacidade exportadora do país – além de que a valorização dos preços este ano trouxe de volta muitos projectos que estavam parados.

 


(notícia actualizada às 20:22)
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