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Ordens de compra de acções da ES Saúde limitadas ao montante disponível na conta

Bancos mantêm valor da ordem cativo até à liquidação financeira. Medida poderá ter impacto na procura da OPV

Paulo Moutinho 27 de Janeiro de 2014 às 23:30
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Numa oferta pública de venda (OPV), as ordens de compra superam quase sempre o número total de títulos disponível. Por vezes porque há, de facto, interesse comprador, mas muitas é o resultado de uma estratégia que passa por pedir acções a mais do que aquelas que, efectivamente, se pretende já a contar com o rateio. Uma prática que na OPV da ES Saúde está a ser travada. Os bancos estão a exigir que o dinheiro correspondente ao investimento esteja disponível na conta.

Na Martifer, a procura superou em 194 vezes a oferta. Na REN também passou as 100 vezes e na EDP Renováveis ficou-se pelas 88 vezes. Mais recentemente, na privatização dos CTT, o número de títulos solicitados pelos particulares ficou apenas 9,04 vezes acima daqueles que lhes estavam destinados. Não quer isto dizer que havia pouco apetite pelos títulos, mas antes o "ensaio" da banca para tornar mais clara a procura. Alguns passaram a cativar o dinheiro das ordens.

"Nesta OPV [na dos CTT] houve bancos que cativaram o valor das ordens na totalidade. Outros cativaram 10% ou 15%", contou, à data, Octávio Viana, presidente da Associação de Analistas

O investidor tem de ter o dinheiro equivalente ao número de acções que pretende subscrever na conta à ordem.

 

Millennium BCP

Fonte oficial

Técnicos e Investidores do Mercado (ATM), sublinhando que isso travou a procura total. Passados apenas dois meses desde a OPV da empresa liderada por Francisco Lacerda, está em marcha a operação de dispersão de mais uma cotada, a Espírito Santo Saúde. Mas agora, os grandes bancos estão todos a fazer o mesmo: exigir que o valor da ordem esteja disponível na conta.

O Negócios contactou agências das cinco maiores instituições financeiras nacionais, a CGD, o BCP, BES, BPI. Confrontadas com a intenção de colocar uma ordem para o número máximo de acções permitido aos particulares sem os 156 mil euros necessários para as adquirir (a subscrição é feita ao valor máximo do intervalo, de 3,90 euros), em todas a resposta foi negativa. "Não é possível. O valor fica cativo", explicou uma assistente da CGD. "Não tendo o dinheiro, dá erro [através do ‘site’]", disse uma funcionária do BES. Já o Santander Totta diz que ainda está a avaliar como irá proceder.

Não há crédito

Fonte oficial do Millennium BCP explicou ao Negócios que "tal como nos CTT, o investidor tem de ter o dinheiro equivalente ao número de acções que pretende subscrever na conta à ordem". E acrescentou que "não há crédito" para a aquisição dos títulos da ES Saúde, cuja subscrição arrancou esta segunda-feira. "A CGD não participa com crédito para esta operação", disse fonte oficial do banco público, sendo esta uma realidade transversal às restantes instituições financeiras nacionais.

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