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«Os títulos das empresas relacionadas com o Euro 2004 são apetecíveis»

O gestor de activos do Barclays, em entrevista, explica as razões que impulsionaram os retornos dos fundos de acções e salienta os títulos relacionados com o Europeu. Francisco Oliveira salienta as acções da Brisa, mas afirma que a PT, a Sonae, BCP e EDP

Pedro Viana pviana@mediafin.pt 31 de Março de 2004 às 12:15
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O gestor de activos do Barclays, em entrevista, explica as razões que impulsionaram os retornos dos fundos de acções e salienta os títulos relacionados com o Europeu. Francisco Oliveira salienta as acções da Brisa, mas afirma que a PT, a Sonae, BCP e EDP também contribuíram para a apreciação do fundo nos últimos 12 meses.

Sendo o Barclays Premier um dos fundos mais rentáveis, por que tem uma das menores carteiras e os maiores resgates?

Penso que está a ser feito um esforço ao nível do "marketing" para que haja alguma realocação e que as pessoas ganhem um pouco mais de apetência pelos fundos. Em relação aos resgates, como Portugal foi um "outperformer", as pessoas quiseram encaixar o lucro que realizaram. Mas posso adiantar que, em Março, o capital voltou a entrar com os investidores a acreditar na performance do fundo e da economia.

Qual a maior vantagem comparativa do fundo?

Ao longo do mês procuramos ter uma gestão dinâmica, vamos acompanhando as empresas, fazemos a nossa avaliação fundamental. Temos uma componente de futuros que usamos para cobrir ou alongar a posição e que tem sido muito importante, pois conseguimos, por um lado, uma almofada e, por outro, aumentar a exposição sem mexer na liquidez. É política do fundo, quando a cotação de uma empresa atinge o seu valor fundamental, realocar o investimento para outra que apresente um maior potencial.

A liquidez é uma componente estável do fundo? É importante para ter capital disponível?

Sim. A liquidez é relativamente estável. Um fundo de acções, pela sua própria natureza, deve estar investido em acções. Por vezes devido às restrições de um máximo de 10% num só título, somos forçados a deter uma maior exposição em "cash" que procuramos compensar através do investimento em futuros. No entanto, procuramos que essa exposição não se afaste muito dos 10%, utilizando essa liquidez quando existirem oportunidades de investimento, como por exemplo, depois do que aconteceu com os atentados em Madrid com o "panic sell".

Quais as empresas que mais contribuíram para a prestação do fundo?

A PT, a Sonae, o BCP, EDP e Brisa. A Brisa é um título bastante interessante face à conjuntura actual porque tem uma boa "dividend yield", é um título defensivo e vai ganhar com o Euro 2004, tal como a Ibersol, a Sonaecom, a PTMultimédia.

Quais as empresas e sectores em que mais aposta? Que empresa suscita mais optimismo?

Banca, com BCP e BPI, retalho, com Sonae, Ibersol, Jerónimo Martins e "utilities". No curto prazo penso que as empresas relacionadas com o Euro 2004, a Ibersol, a Sonaecom, a Brisa com o aumento da circulação de veículos e a EDP são títulos apetecíveis. No retalho estou mais exposto à Sonae cuja reestruturação está a dar frutos. Fazer o "spin-off" da Sonae Indústria é positivo, pagar dividendo é positivo e a história da Portucel pode ser importante para reduzir dívida.

Via com bons olhos, então, a venda da posição de 30% que o grupo Sonae detém da Portucel?

Eu, o mercado no seu todo, e muito provavelmente, o Eng. Belmiro de Azevedo.

João Freixa disse que a entrada da Galp Energia e da REN para a bolsa é fundamental e que as cotadas deviam aumentar o "free-float". Concorda?

Penso que o facto de as empresas virem para o mercado é bastante importante. Vejo com bons olhos a estreia da REN, Galp, Investec, Media Capital. Por outro lado, aumentar o "free-float" das cotadas é muito importante para a visão do mercado português, não só interna como externa. Os investidores internacionais, quando olham para Portugal, ficam com a sensação que o título tem valor mas não tem liquidez.

Subscreveu acções no IPO da Media Capital?

O fundo subscreve acções que considera que tenham valor intrínseco e potencial. A Media Capital tem vários activos com bastante interesse e acho que face ao "market cap" que a empresa vai apresentar, superior à Impresa, pode ser interessante. Até pode entrar para o PSI-20. Vamos colocar uma percentagem na Media Capital e acho que qualquer investidor institucional o vai fazer.

O mercado português vai continuar com a mesma pujança que teve neste início de ano?

Pode não ter a mesma pujança, mas sustentabilidade para continuar com uma boa "performance" tem. O Euro 2004, a PT a fazer um "share buy back" e a pagar um bom dividendo, a EDP e a Sonae a efectuarem reestruturações são tudo histórias que sustentam o mercado. Nunca antes tínhamos visto tanta reestruturação e tanta vontade de melhorar.

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