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"Pai" da bitcoin volta atrás e não faz mais testes de paternidade

O empreendedor australiano tinha prometido divulgar provas de que era o criador da criptomoeda. Mas voltou atrás na decisão.

BBC
Negócios 05 de Maio de 2016 às 15:32
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A identidade de Satoshi Nakamoto, o pseudónimo do criador da "bitcoin", poderá continuar a ser um dos grandes mistérios da era digital. Apesar de esta semana Craig Wright ter revelado no seu site pessoal e em entrevistas à BBC, à The Economist e à GQ, que era o pai da criptomoeda, o empreendedor australiano recusa-se agora a dar mais provas da paternidade.

A revelação feita àquelas publicações foi sustentada em algumas provas. Wright utilizou códigos criptográficos criados nos dias iniciais do desenvolvimento da "bitcoin", em 2008. Mas surgiram dúvidas sobre se a alegação do australiano era real ou apenas um embuste. A própria The Economist enumerou um conjunto de testes que Wright se recusou a fazer e que poderiam provar sem sombra de dúvidas de que o australiano era Satoshi Nakamoto.

A verdadeira prova dos nove seria a transferência de algumas das "bitcoins" iniciais que apenas podem ser movimentadas com um chave-privada conhecida pelo verdadeiro Satoshi. E apesar de alguns dos nomes mais respeitados do projecto "bitcoin" se terem mostrado convencidos da veracidade da paternidade de Wright, multiplicaram-se as análises a duvidar do australiano que dizia ter provas excepcionais de que era Satoshi.

Entre os que apoiaram a veracidade das revelações do empresário australiano estava Gavin Andresen, responsável científico da Fundação Bitcoin, visto como sucessor de Nakamoto, e Jon Matonis, antigo líder daquela entidade.

"O mundo nunca vai acreditar"

Poucos dias depois da revelação e da chuva de críticas e de dúvidas, Wright veio agora dizer, no seu site pessoal, que desiste de tentar provar que é Satoshi: "Eu acreditava que podia fazer isto. Acreditava que poderia colocar anos de anonimato para trás. Mas, à medida que os acontecimentos desta semana se desenrolavam e em que me preparava para publicar a prova de acesso às chaves iniciais, quebrei. Não tenho a coragem. Não posso".

E atribui a responsabilidade por não revelar as provas decisivas aos rumores que surgiram após a revelação. "As minhas qualificações e carácter foram atacados. E quando houve alegações que provaram ser falsas, logo surgiram novas alegações. Sei agora que não sou suficientemente forte para isto", escreveu Wright. Além das dúvidas sobre a paternidade da "bitcoin", também o currículo do australiano foi posto em causa, tendo havido insinuações de alguns títulos académicos que poderiam ter sido forjados. E foram noticiadas investigações a Wright por parte das autoridades tributárias australianas.

Wright reconhece que "a minha fraqueza irá causar grande dano àqueles que me apoiaram, particularmente Jon Matonis e Gavin Andresen. Posso apenas esperar que a sua honra e credibilidade não fique irreparavelmente colocada em causa pelas minhas acções". E conclui: "Eles não foram enganados, mas sei agora que o mundo nunca irá acreditar. Apenas posso pedir desculpa".

Sem a prova dos nove, a identidade de Satoshi Nakamoto continuará a ser alvo de dúvidas.

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