Obrigações Palavras de Mourinho Félix sobre injecção no Novo Banco merecem elogio da Moody’s

Palavras de Mourinho Félix sobre injecção no Novo Banco merecem elogio da Moody’s

O secretário de Estado afirmou que o Fundo de Resolução pode injectar capital no Novo Banco. A Moody's considera que é positivo para o perfil de crédito da instituição financeira, ainda classificada como um investimento especulativo.
Palavras de Mourinho Félix sobre injecção no Novo Banco merecem elogio da Moody’s
Miguel Baltazar
Diogo Cavaleiro 01 de março de 2018 às 14:00

O Governo admitiu publicamente, através de Ricardo Mourinho Félix, algo que já estava inscrito no Orçamento do Estado e no acordo-quadro assinado com o Fundo de Resolução: se o Novo Banco precisar de injecção, o Fundo de Resolução pode pedir um empréstimo ao Tesouro. A Moody’s deixa uma consideração positiva sobre estas palavras.

 

"Este plano é positivo a nível de crédito para o Novo Banco porque o banco vai receber fundos próprios adicionais. Estes fundos adicionais vão ajudar o Novo Banco a acelerar a redução do risco do balanço, que está estrangulado devido à muito elevada carteira de activos problemáticos", assinala a agência de notação financeira num comentário datado desta quinta-feira, 1 de Março.

 

Ao Dinheiro Vivo e à TSF, o secretário de Estado Ricardo Mourinho Félix (na foto) afirmou, no passado sábado, que "se [o Fundo de Resolução] não tiver os meios financeiros, recorrendo a todos os meios que tem disponíveis, então poderá, ao abrigo do acordo-quadro, pedir um financiamento ao Tesouro".

 

O Orçamento do Estado para 2018 já prevê a utilização de 850 milhões de euros para este fim, tendo em conta que este é o limite máximo que pode ser emprestado anualmente pelo Estado ao Fundo de Resolução, segundo o acordo-quadro assinado. O Fundo, que funciona junto do Banco de Portugal, tem possíveis responsabilidades que ascendem a 3,9 mil milhões de euros sobre um conjunto de activos do Novo Banco. É por via do mecanismo de capitalização contingente que pode ter de enfrentar esse encargo, caso os activos se deteriorem e ao mesmo tempo afectem o rácio de capital da instituição financeira. A possibilidade de uma injecção já este ano coloca-se tendo em conta a apresentação de resultados do banco. 

Segundo já noticiou o Negócios, os prejuízos da instituição financeira podem oscilar entre 1,6 e 1,7 mil milhões de euros, fruto das imparidades para créditos. A Moody's sublinha que o banco presidido por António Ramalho até tem melhorado a sua situação de capital, mas o portefólio de activos não rentáveis – incluindo os créditos malparados – continua a ser um desafio. Ou seja, a obrigatoriedade de provisionamento mantém-se. 

 

"A recapitalização adicional pelo Fundo de Resolução vai reforçar a cobertura de imparidades", admite a nota assinada por Maria Jose Mori, falando no mais fácil desinvestimento em exposições problemáticas com a capitalização. 


A Lone Star também consegue ganhar condições para cumprir as suas obrigações no Novo Banco, onde detém 75% desde Outubro. "A recapitalização vai também ajudar a Lone Star a implementar a profunda reestruturação do Novo Banco que acordou quando comprou a participação no banco. A reestruturação inclui desinvestir em activos não core (incluindo activos não rentáveis) de modo a restaurar a viabilidade do banco e a superar a herança", diz a Moody’s.

A classificação de risco da dívida do Novo Banco, na óptica da Moody’s, é de Caa2 e no caso dos depósitos de Caa1, níveis em que o investimento é considerado especulativo. Nos depósitos, está até em revisão para eventual descida. 






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comentários mais recentes
vamos ver 01.03.2018

Vamos ver para onde vai quando deixar de ser governante . . .

Anónimo 01.03.2018

Em muitas organizações portuguesas, mesmo aqueles que estão entre os melhores técnicos do sector, estão em demasia na respectiva organização e eu não tenho que lhes andar a subsidiar o ordenado nem a pagar a futura e muito generosa pensão de reforma. Quem não cria valor e apenas se limita a extraí-lo, por muito boa pessoa e profissional que seja, tem direito ao RSI e a ir oferecer os seus préstimos lá para onde exista procura real, efectiva, para eles. O dealbar das bancarrotas portuguesas, no geral, e o das 3 últimas em particular, tem única e exclusivamente a ver com isto, ao qual se pode chamar má alocação de factores produtivos na economia.

Yalioblio 01.03.2018

Vender Bancos e depois ter que investir neles é mau negócio para o erário público.

Anónimo 01.03.2018

Porque é que arranjaram um NovoBanco sem dinheiro e com dívidas? Não seria melhor um BancoNovo ao menos sem dívidas.

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