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Pandemia e tarifas arrastam Wall Street para pior dia em duas semanas

As bolsas norte-americanas encerraram em baixa, marcadas pelos receios em torno de uma segunda vaga de covid-19, numa altura em que crescem os casos de novas infeções.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 24 de Junho de 2020 às 21:16
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O Dow Jones fechou a recuar 2,72% para 25.445,94 pontos, e o Standard & Poor’s 500 cedeu 2,59% para 3.050,33 pontos.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite perdeu 2,19% para se fixar nos 9.909,17 pontos, depois de ontem ter marcado um máximo histórico nos 10.222 pontos e ter marcado a mais longa série de ganhos desde dezembro.

 

Os principais índices de Wall Street registaram assim a sua pior sessão em quase duas semanas.

 

O crescimento dos novos casos de infeção por covid-19 – nomeadamente nos EUA, China, Índia e América Latina – intensificou os receios de que uma segunda vaga da pandemia venha estagnar o processo de reabertura da economia global.

 

A proibição de viajar dentro do país, nalguns estados mais afetados, contribuiu para deteriorar o sentimento dos investidores.

 

Nos EUA, o aumento do número de casos já levou a Apple – que hoje encerrou a cair 1,77% para 360,06 dólares – a anunciar hoje que vai voltar a encerrar lojas no Texas, depois de já ter tomado a mesma decisão no dia 19 para 11 lojas na Florida, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Arizona, estados onde tem havido um grande aumento de casos de covid-19 nos últimos dias.

Ao final do dia, Houston lançava também um alerta, ao dizer que está a caminho de, amanhã, esgotar a sua capacidade de cuidados intensivos.

 

E isto numa altura em que os Estados Unidos, em recessão, estavam a dar sinais de querer recuperar – ontem, o secretário norte-americano do Tesouro, Steven Mnuchin, disse que o país poderia sair da recessão em finais do ano.

Além disso, o Fundo Monetário Internacional reviu em baixa as suas perspetivas para a economia mundial, projectando uma recessão muito mais profunda e uma retoma mais lenta do que aquilo que antecipava há dois meses.

 

A pressionar esteve também o intensificar de um foco de tensão comercial entre os EUA e a Europa, com Washington a ameaçar um reforço das tarifas na importação de produtos europeus como azeitonas, queijo, laranjas, chocolate, gin e cerveja – no âmbito da disputa entre as duas partes em torno dos subsídios estatais a fabricantes aeronáuticas.

 

A importação, pelos norte-americanos, dos 30 produtos europeus enunciados pelos EUA – e cujo documento estará em consulta pública até 26 de julho, não sendo ainda a lista final – ascende a cerca de 3,1 mil milhões de dólares anualmente e podem ser alvo de tarifas de 100%.

 

Recorde-se que no ano passado Washington já tinha passado de 15% para 25% as tarifas sobre outros produtos europeus, equivalentes a 7,5 mil milhões de dólares, devido a esta disputa.

 

Em causa estão os subsídios europeus atribuídos à construtora aeronáutica Airbus, que a Organização Mundial do Comércio (OMC) reconheceu como sendo ilegais e que, por isso, penalizaram a rival norte-americana Boeing.

 

Os investidores aguardam também com cautela os números dos novos pedidos de subsídio de desemprego na última semana, nos EUA, que serão conhecidos amanhã.

 

As estimativas da Bloomberg apontam para 1,3 milhões de novos pedidos para aceder a este apoio – uma redução face aos 1,508 milhões registados na semana precedente.

 

Será, nesse caso, a 12.ª semana de diminuição no número de pedidos. Mas, como sublinha a CNN, não é necessariamente uma boa notícia, atendendo a que se mantém acima da barreira de um milhão.

 

Ainda amanhã, a Reserva Federal (Fed) norte-americana divulga os resultados dos testes de stress aos bancos que operam nos Estados Unidos.

 

Os máximos históricos da Zoom

 

Alheia às quedas generalizadas dos dois lados do Atlântico esteve a plataforma de videoconferências Zoom, que foi uma das únicas quatro cotadas do Nasdaq-100 que conseguiu fechar no verde – a par com a operadora de telecomunicações T-Mobile, a biotecnológica Gilead Sciences e a empresa de virtualização de software Citrix.

 

As 30 cotadas que compõem o Dow Jones fecharam todas em queda e apenas 18 títulos do S&P 500 conseguiram subir (incluindo a T-Mobile, Gilead e Citrix, que também integram este índice).

 

A Zoom e a Citrix estão entre as poucas empresas que beneficiaram com o abrandamento da economia, já que mais pessoas trabalharam a partir de casa, salienta a CNN.

 

Na sessão de hoje, a Zoom encerrou a somar 1,22% para 255,90 dólares, tendo durante a sessão atingido um máximo histórico nos 258,75 dólares.

 

Neste momento, a Zoom tem um valor de mercado de cerca de 72 mil milhões de dólares – mais do que perto de 85% das empresas do S&P 500.

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