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Peugeot dispara mais de 4% após notícia de que Carlos Tavares será CEO

Acções da construtora automóvel francesa estão a reagir em alta à possibilidade do gestor português liderar a companhia, como foi noticiado no domingo pela imprensa internacional. O acordo com o Irão também contribui.

Bloomberg
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 25 de Novembro de 2013 às 10:32
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A PSA Peugeot Citroën está a negociar em forte alta na bolsa portuguesa, com as acções a registarem uma valorização máxima superior a 4%, devido à possibilidade do gestor português Carlos Tavares liderar a companhia, como foi noticiado no domingo pela imprensa internacional.

 

Os títulos valorizam 3,71% para 10,61 euros, aliviando de uma valorização máxima de 4,06% para 10,645 euros.

 

O banco de investimento francês Natixis salienta que a potencial contratação de Carlos Tavares representa uma “notícia muito boa” para a Peugeot, pois o gestor português teve uma prestação “sólida” na Nissan. Outros analistas também fizeram comentários positivos à noticia, destacando também os desafios que tem pela frente.

 

Além do efeito Carlos Tavares, a Peugeot está também a beneficiar com o acordo alcançado entre as maiores potências mundiais e o Irão, sobre o programa nuclear do país. “A Peugeot e a Renault são as que mais beneficiam entre as construtoras automóveis europeias”, refere um analista citado pela Bloomberg. Em 2011, antes das sanções ao Irão, a construtora automóvel francesa vendeu perto de 500 mil automóveis no país.  

 

A imprensa noticiou no Domingo que a Peugeot está à procura de um gestor para suceder ao actual CEO, sendo que Carlos Tavares, que até Agosto era nº2 da Renault, é apontado como o próximo líder da construtora automóvel francesa.

 

O jornal francês “Le Figaro” adianta que é Carlos Tavares quem está melhor posicionado para vir a liderar a Peugeot, num processo que deverá arrancar com a escolha do gestor português para liderar as áreas de estratégia e operações da companhia e chegar a CEO em 2014.

 

O “Le Figaro” avança que Carlos Tavares já terá reunido com os principais responsáveis da família Peugeot e com o actual CEO Philippe Varin e que a candidatura do gestor português será unanimemente bem recebida.

 

Em Agosto Carlos Tavares saiu da Renault depois de ter demonstrado vontade de liderar uma grande construtora de automóveis e reconhecido que tal seria muito difícil na empresa francesa, que é liderada por Carlos Ghosn. Agora, o gestor português surge na calha para chegar mesmo a nº 1 de uma grande construtora de automóveis, curiosamente também francesa. 

 
O gestor que saiu da Renault por querer chegar a CEO

“Poliglota”, “apaixonado pelo mundo automóvel”, “austero” e “extremamente rigoroso”. Foi assim que o jornal económico francês “La Tribune” classificou Carlos Tavares quando este foi escolhido, em Maio de 2011, para braço-direito de Ghosn na Renault, depois de um escândalo de espionagem ter levado a demissão do anterior nº2 da empresa francesa.

 

Carlos Tavares entrou para a Renault em 1981 e só saiu em 2004, quando assumiu funções na divisão da América do Norte da Nissan (a empresa nipónica é detida em mais de 40% pela Renault).

 

Carlos Tavares era considerado por muitos como um sucessor provável do actual líder Carlos Goshn, de 59 anos, mas em meados de Agosto, em entrevista à Bloomberg, surpreendeu ao demonstrar intenção de seguir carreira como líder noutras paragens.

 

“Quem for apaixonado pela indústria automóvel chega à conclusão que há um ponto em que temos energia e vontade de chegar a número 1”, disse o ex-Chief Operations Officer da marca francesa - onde chegou há 31 anos como piloto de testes -, mostrando vontade de não querer esperar tanto tempo assim para suceder a Goshn.

 

Tavares deu a entender que a sua ambição pessoal de liderar a marca francesa não lhe permitia esperar mais cinco anos, que o próprio acreditava que Goshn ainda passasse à frente da Renault. Nessa altura, o português já teria 60 anos e considerava que seria tarde de mais para assumir a liderança de uma grande construtora.

 

Na mesma entrevista, questionado directamente sobre o interesse em liderar a General Motors, afirmou que “seria uma honra”. Directamente sobre a sucessão da marca norte-americana disse: “A GM poderá ter outros bons candidatos em equação e se as coisas não se proporcionarem, não faz mal. Considerarei outras empresas, mas as de Detroit são as que estão a preparar a sucessão”.

 

Ao que tudo indica, Carlos Tavares não terá que voltar a atravessar o Atlântico e deverá ser no mesmo país onde trabalhou nos últimos anos que atingirá o objectivo de liderar uma grande construtora automóvel mundial.

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