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Por que é a dívida portuguesa é tão pouco atractiva?

Falta de liquidez, grandes diferenças entre os valores de quem quer comprar e de quem quer vender, demasiado risco. São estas as respostas de gestores e estrategas com quem a Bloomberg falou sobre a compra de obrigações nacionais.

Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Setembro de 2012 às 09:59
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As taxas de juro implícitas à dívida portuguesa têm descido, assinalando que o risco face à dívida alemã é menor do que quando Portugal pediu ajuda externa, em Abril de 2011. As rendibilidades caem. Mas quem as aproveita?

No final de Agosto, o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP) publicou um estudo sobre o volume de transacções do mercado secundário de dívida nacional. Em Julho, foram negociados 3 milhões de euros em obrigações portuguesas neste mercado por dia. O valor mais baixo desde, pelo menos, Julho de 2000. Em 2008, chegaram a ser negociados 960 milhões de euros em obrigações por dia.

Com base nestes dados, a agência Bloomberg contactou vários gestores e estrategas sobre o mercado de dívida português, um mercado em que as rendibilidades são elevadas mas que embate num reduzido volume. O retorno para quem compra dívida portuguesa é de 48%, o mais elevado entre os mercados compilados pela Bloomberg. No caso das obrigações alemãs, a rendibilidade fixa-se em 1,7% este ano.

Portugal, sob um programa de resgate desde Abril do ano passado, está ausente do mercado de dívida primário de longo prazo, ou seja, não emite dívida de longo prazo. O IGCP, que gere o programa de financiamento do país, está apenas a vender bilhetes do Tesouro com um prazo máximo de 18 meses. Contudo, as Obrigações do Tesouro continuam a ser trocadas no mercado secundário, entre os investidores. Só que pouco.

“Elevada volatilidade, baixos volumes e grandes diferenças entre os valores de compra e de venda são um impedimento para os investidores”, disse à Bloomberg o estratega do Bank of America Meriil Lynch, John Wraith.

A diferença entre os preços de oferta e os de compra é a principal barreira para que o mercado seja pouco líquido, segundo Marc Ostwald, estratega do Monument Securities, em declarações à agência. “Se este prémio é assim tão grande, vais sofrer para fazer dinheiro. Será apenas para aquela comunidade muito, muito especulativa ou para aqueles que estão no jogo a um prazo extraordinariamente longo”, acrescentou.

“Aqui e agora” não

A Bloomberg falou ainda com outros dois gestores que não deixaram palavras positivas para o momento actual da dívida portuguesa, que até regista descidas significativas das rendibilidades associadas às obrigações no mercado secundário.

“Portugal não é algo em que iremos entrar aqui e agora”, disse o gestor do Júpiter Fund Management, Ariel Bezalel. “Investir em Portugal é, para nós, potencial de descida máximo, potencial de subida limitado”, opinou o gestor da RWC Partnerts, Stuart Frost.

Enquanto o mercado secundário de obrigações nacionais vai registando um baixo volume, o primário está paralisado. O objectivo, segundo o acordo definido entre o Governo português e a troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), é que o País regresse aos mercados com emissões de dívida de longo prazo, em Setembro de 2013. Mesmo que não seja possível concretizar a emissão de dívida de longo prazo nessa altura, Portugal tem já a garantia de ajuda dos líderes europeus para essa reentrada.

Até agora, os leilões de dívida de curto prazo (até 18 meses) têm corrido bem a Portugal, que tem conseguido colocar os Bilhetes do Tesouro com taxas de juro implícitas inferiores aos de leilões anteriores.

Apesar do baixo volume de mercado, a percepção de risco de Portugal tem vindo a cair. Por um lado, as rendibilidades associadas às obrigações estão em queda, sinalizando um aumento do preço das obrigações e uma maior disposição dos investidores em comprar as obrigações com rendibilidades mais baixas (embora não seja líquido que esses negócios se concretizem).

Essa descida tem feito com que o diferencial entre as taxas de juro implícitas à dívida nacional e as da dívida alemã, que assinala o risco da dívida, tenha caído. Ao mesmo tempo, o custo para comprar um seguro contra o incumprimento da dívida (credit Default swaps) está em mínimos desde o início do ano passado, o que também aponta no mesmo sentido.

Mas, como aponta o título da Bloomberg, os investidores "ignoram" este comportamento, dada a reduzida liquidez do mercado.


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