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Portugal emite 5 mil milhões em dívida a sete anos com forte procura. Juro nos 0,7%

Os custos de financiamento de Portugal nesta emissão a sete anos são superiores aos da sindicada de obrigações a 10 anos que foi realizada no início do ano.

Bruno Simão
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Portugal realiza hoje uma emissão de dívida sindicada a 7 anos que recebeu forte procura por parte dos investidores, tendo já fixado o montante da oferta em 5 mil milhões de euros.

De acordo com a Dow Jones, o livro de ordens fechou com procura acima de 30 mil milhões de euros (mais de seis vezes acima da oferta), o que levou o IGCP a determinar um montante acima do habitual para emitir numa operação sindicada. Na operação realizada em janeiro foram colocados 4 mil milhões de euros.

A procura robusta também conduziu a uma descida do custo da operação desde o arranque até ao fecho. O guidance inicial para o spread foi fixado em 90 pontos base, desceu para 88 pontos base e no final da operação situava-se em 86 pontos base, segundo informações da Bloomberg e da Dow Jones.

Tendo em conta que o "midswap" da Zona Euro está esta quarta-feira em -0,18%, a taxa de juro está ligeiramente abaixo de 0,7%. 

A Bloomberg tinha avançado ontem que Portugal estava a preparar uma emissão sindicada de uma nova linha de obrigações a sete anos com maturidade em 15 de outubro de 2027, tendo para tal o IGCP contratado um sindicato bancário para realizar a operação. Esta é a segunda vez que Portugal realiza uma operação deste género em 2020.

Barclays, BBVA, CaixaBI, Credit Agricole, JPMorgan e Morgan Stanley são os bancos contratados para esta emissão sindicada, cujos títulos vencem a 15 de outubro de 2027. 


A taxa das obrigações a sete anos de Portugal está esta manhã em 0,54% pelo que o IGCP aceitou um preço acima do registado no mercado secundário, o que é normal neste tipo de operações de abertura de linha e emissão sindicada.

Taxa acima da sindicada a 10 anos em janeiro

Os custos de financiamento de Portugal nesta emissão a sete anos vão assim ser superiores aos da sindicada realizada no início do ano. A 8 de janeiro Portugal pagou uma taxa de juro de 0,475% para emitir 4 mil milhões de euros em dívida sindicada a 10 anos.

No entanto, as condições de financiamento sofreram grandes alterações desde então, com o contégio da covid-19 a determinar um forte agravamento dos juros da dívida soberana no euro. Ainda assim, nos últimos dias parte dessa subida foi invertida, perante a expectativa que a "bazuca" do BCE consiga suportar a dívida da região.

"Esta ligeira subida do risco nacional, está em sintonia com o movimento a que assistimos em todas as dívidas soberanas. O Mundo alterou-se devido ao Covid-19 o que resultou num aumento do risco em todas as classes de ativos", diz Filipe Silva, do Carregosa. 

"Apesar de tudo, continuamos com sucesso a emitir dívida permitindo-nos fazer um rollover a taxas historicamente baixas. Agora mais do que nunca Portugal bem como os outros países, precisam do suporte dos Bancos Centrais, pois sem o mesmo, o prémio de risco irá disparar, dada a situação económica que cada país vive atualmente ser extremamente difícil", acrescenta.

  

IGCP aumenta emissões


A notícia de uma nova emissão sindicada surge depois de o IGCP ter revisto as suas necessidades de financiamento, devido ao surto da covid-19. O IGCP vai aumentar o montante de emissão de obrigações do Tesouro em 250 milhões de euros por leilão, ao mesmo tempo que irá acelerar a execução do programa de financiamento de médio e longo prazo.

Em entrevista escrita ao Negócios, a presidente do IGCP Cristina Casalinho já tinha adiantado que "os emitentes soberanos têm vindo a cumprir com os programas de financiamento como planeado; contudo, como se constatou em crises anteriores, os planos podem ter de ser rapidamente alterados e ajustados".

A resposta à epidemia vai aumentar as necessidades de financiamento dos governos um pouco por toda a Europa e Portugal não é exceção, com o Executivo de António Costa a comprometer-se, para já, com medidas no valor de 9,2 mil milhões de euros.

Os analistas já antecipavam o lançamento de uma nova linha de dívida no início de abril, num momento em que o Banco Central Europeu (BCE) já está no mercado a comprar dívida ao abrigo do novo programa de emergência para fazer face à pandemia. A entidade liderada por Christine Lagarde tem um cheque de 750 mil milhões de euros para investir em dívida pública e privada em 2020, um valor que pode ser aumentado caso seja necessário.

Este programa pandémico, que se soma ao programa de compras mensal do BCE e aos reinvestimentos, tem beneficiado a dívida da periferia e acelerou uma correção dos juros nos últimos dias. Segundo estimativas do Danske Bank, o BCE deverá investir 16 mil milhões de euros em dívida portuguesa no acumulado do ano, contabilizando os vários programas do banco central.

(notícia atualizada às 13:50 com montante a colocar)

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