Obrigações Portugal paga taxa mais baixa de sempre para emitir dívida a 10 e 27 anos

Portugal paga taxa mais baixa de sempre para emitir dívida a 10 e 27 anos

Na emissão a 27 anos o IGCP pagou uma taxa de 2,8%, bem abaixo do juro da emissão semelhante realizada no ano passado. O custo de emitir a 10 anos também foi o mais baixo de sempre.
Nuno Carregueiro 14 de março de 2018 às 10:45

O IGCP colocou 1.250 milhões de euros em títulos de dívida a 10 e 27 anos, tendo suportado os custos de financiamento mais reduzidos de sempre em ambas as emissões.


Foram colocados 925 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidade em Outubro de 2028, com uma "yield" de 1,778%. Os títulos com maturidade em Fevereiro de 2045 foram emitidos com uma taxa de 2,8%.

A taxa suportada para colocar os títulos a 10 anos é a mais baixa de sempre e compara com os 2,046% suportados na última emissão, realizada em Fevereiro. Só por uma vez Portugal tinha emitido dívida a 10 anos com uma taxa abaixo de 2%. Foi a 8 de Novembro do ano passado, quando a "yield" do leilão ficou em 1,939%.

A procura atingiu 1.661 milhões de euros, superando a oferta em 1,7 vezes. O rácio foi inferior ao da emissão similar de Fevereiro (2,08 vezes), mas acima do registado na emissão de Novembro (1,57 vezes) quando tinha sido fixado o anterior mínimo histórico na taxa.


Quanto à emissão de 275 milhões de euros em dívida a 27 anos, a procura superou a oferta em 2,8 vezes e a taxa também foi a mais baixa de sempre. Em Julho de 2017 o IGCP colocou títulos com prazo de 28 anos com uma taxa de 3,977% e em 2015, quando esta linha foi aberta, pagou uma taxa de 3,23% para colocar os títulos com uma maturidade de 30 anos.

A taxa da emissão a 27 anos acabou por ficar em linha com o registado no mercado secundário (a taxa a 30 anos está esta quarta-feira nos 2,827%).

A Alemanha também realizou esta quarta-feira um leilão de dívida de muito longo prazo, tendo suportado uma taxa de 1,27% para colocar títulos com uma maturidade de 30 anos.

"Já hoje colocámos dívida a dez anos e a 27 anos às taxas mais baixas de sempre, não é [às mais baixas] da semana passada ou de há um ano, é de sempre", disse o ministro das Finanças, Mário Centeno, numa audiçao no parlamento, citado pela Lusa.

Resultado "extraordinário"

"Foram duas emissões de dívida com bastante sucesso e em ambas Portugal conseguiu emitir dívida com as taxas mais baixas de sempre para estes prazos", diz Filipe Silva, director da Gestão de Activos do Banco Carregosa, classificando de "substancial" a descida do custo de financiamento a 10 anos


"Mas o mais extraordinário foi a emissão a 27 anos a uma taxa de 2,8%. Em 2017, uma emissão semelhante (a 28 anos) a taxa foi bastante superior. Basta dizer que esta taxa de 2,8% foi o que se pagou por dívida a 10 anos emitida em Setembro de 2017 (2,78%). Agora, com a mesma taxa conseguimos dívida que só se vence em 2045", assinala Filipe Silva.


"Estas duas operações mostram que o prémio de risco da dívida portuguesa baixou drasticamente o que é muito bom para os interesses do país, dado sobretudo tratar-se de dívida longa", acrescenta o mesmo responsável, considerando que "estes resultados irão certamente ter impacto também no custo de financiamento de empresas portuguesas que queiram emitir dívida no mercado".




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