Obrigações Portugal volta a emitir dívida de curto prazo com taxas negativas recorde  

Portugal volta a emitir dívida de curto prazo com taxas negativas recorde  

O IGCP colocou 1.100 milhões de euros em bilhetes do Tesouro, num duplo leilão que fica marcado pelas taxas mais baixas de sempre.
Portugal volta a emitir dívida de curto prazo com taxas negativas recorde   
Bruno Simão
Nuno Carregueiro 21 de fevereiro de 2018 às 10:49

O Tesouro português continua a emitir dívida de curto prazo a taxas negativas cada vez mais baixas, indiferente ao agravamento das "yields" das obrigações no mercado secundário. Esta quarta-feira colocou 1.100 milhões de euros, a meio do intervalo pré-anunciado entre mil e 1.250 milhões de euros.

 

Segundo os dados avançados pela Bloomberg, o IGCP colocou 300 milhões de euros em bilhetes do Tesouro a três meses (maturidade em Maio de 2018), com uma taxa de -0,417%, abaixo dos -0,389% do leilão realizado em Outubro, que já era a taxa mais baixa de sempre nesta maturidade. A procura atingiu 1.070 milhões de euros, o que supera em 3,56 vezes a oferta.

 

Em bilhetes do Tesouro a 11 meses (maturidade em Janeiro de 2019) o IGCP colocou 800 milhões de euros. A taxa ficou em -0,393%, um novo mínimo recorde e que compara com os -0,325% do leilão comparável realizado em Outubro. A procura atingiu 1.435 milhões de euros, superando a oferta em 1,79 vezes.

A descida dos custos de financiamento de Portugal na emissão de dívida de curto prazo foi uma constante ao longo do ano passado, com as taxas a ficarem cada vez mais negativas em cada leilão. 

O IGCP já tinha realizado um leilão de bilhetes do Tesouro este ano, tendo a 17 de Janeiro colocado 1.750 milhões de euros em bilhetes do tesouro a 6 e 12 meses. Na maturidade mais longa a taxa foi a mais baixa de sempre (-0,398%) e até ligeiramente inferior ao leilão de hoje de títulos a 11 meses.

Na semana passada o IGCP tinha colocado 1.250 milhões de euros em títulos de dívida a 5 e a 10 anos. Os custos de financiamento subiram ligeiramente na emissão de títulos a 10 anos (taxa de 2,046%) mas desceram de forma acentuada nos títulos a cinco anos (0,577%).

"Portugal continua a emitir dívida de curto prazo junto aos minimos histórico, mas mesmo assim as taxas portuguesas são mais atractivas quando comparadas com as taxas das dívidas europeias de curto prazo", refere Filipe Silva, director da Gestão de Ativos do Banco Carregosa. "Estamos a começar o ano a emitir a taxas negativas, à semelhança do que aconteceu em 2017, ano em que todas as emissões de Bilhetes do Tesouro foram feitas a taxas negativas. São boas notícias para o custo médio da dívida portuguesa", acrescentou.


(Notícia actualizada às 11:10 com mais informação)