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Portugal Telecom negoceia a desconto face às pares?

O Deutsche Bank diz que as acções da Portugal Telecom incorporam um desconto face às pares. Mas o Morgan Stanley contrapõe: a métrica do "cash flow" é ultrapassado pelo endividamento elevado e a operadora está a prémio noutros critérios.

Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 17 de Maio de 2012 às 12:17
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Os analistas estão em consenso na análise aos resultados do primeiro trimestre da Portugal Telecom. Mas há um critério quanto à avaliação das acções em que os anlistas estão em desacordo.

Por um lado, o Deutsche Bank refere que o "cash flow" livre da Portugal Telecom corresponde a 17,7% do valor de mercado da operadora portuguesa. Mas o Morgan Stanley diz que o endividamento acima das pares torna "irrelevante" o desconto nesta métrica. Para o banco norte-americano, o preço das acções da PT incorpora um prémio face às pares.

O banco alemão refere que a Portugal Telecom "negoceia a desconto face ao sector". O "cash flow" livre estimado para este ano a corresponder a 17,7% do valor da cotada a preços de mercado. O dividendo bruto da operadora é de 0,435 euros, este ano, e confere uma taxa de retorno líquida de 17,3% do dividendo às acções.

Mas o Morgan Stanley não se deixa convencer por estas métricas. O banco salienta que a PT tem um endividamento mais elevado, equivalente a mais de três vezes o EBITDA. Por isso, "um desconto de 35% do ‘cash flow’ livre estimado não é relevante", diz.

Já o preço das acções corresponde a 12 vezes o resultado estimado para este ano e este múltiplo incorpora um prémio de 20% face ao sector, diz a nota de análise do Morgan Stanley. Já o múltiplo que compara o valor económico, que é o valor atribuído pelos analistas à capacidade que a empresa tem de gerar ganhos no futuro, como o EBITDA, confere um prémio de 6% às acções.

"Se a PT não pagasse dividendos a operadora teria" uma dívida equivalente a 2,4 vezes o EBITDA, o que ficaria mais próximo do múltiplo de duas vezes do sector. "Mas esta estimativa do ‘cash flow’ livre estimado ficaria próxima da média do sector", conclui o banco de investimento.

Efeitos não recorrentes levaram "cash flow" livre para o vermelho

No primeiro trimestre, a capacidade de gerar resultados distribuíveis pelos accionistas sofreu vários impactos negativos. Por um lado foi a sazonalidade das necessidades de fundo de maneio. Por outro, houve um efeito de sazonalidade no pagamento das taxas FISTEL no Brasil. Além disso, pagou juros mais elevados no primeiro trimestre do ano.

Descontando os impactos não recorrentes, o "cash flow" livre para remunerar os accionistas teria sido na ordem dos 150 a 160 milhões de euros, refere o banco de investimento Fidentiss. Isto "é mais em linha com as nossas estimativas".

A Portugal Telecom surpreendeu alguns analistas ao divulgar um "cash flow" livre negativo, no primeiro trimestre. No entanto esclareceu que o resultado sofreu o impacto negativo de alguma sazonalidade do fundo de maneio, bem como de outros custos extraordinários.

O "cash flow" livre é o resultado que a empresa tem disponível para remunerar os accionistas, antes de serem descontados os juros e depois do efeito fiscal, tendo em conta as transferências de dinheiro para o fundo maneio e descontando ainda o efeito das amortizações e depreciações. Outra forma de chegar a este valor é subtrair as despesas de investimento (CAPEX) ao "cash flow" operacional.
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