Bolsa Powell reaviva receios em torno dos juros e arrasta bolsas para o vermelho

Powell reaviva receios em torno dos juros e arrasta bolsas para o vermelho

As bolsas norte-americanas encerraram em baixa, pressionadas sobretudo pelos receios em torno do ritmo de subida dos juros nos EUA depois de o novo presidente da Fed, Jerome Powell, ter defendido perante o Congresso "mais aumentos graduais" da taxa directora.
Powell reaviva receios em torno dos juros e arrasta bolsas para o vermelho
Bloomberg
Carla Pedro 27 de fevereiro de 2018 às 21:07

O Dow Jones encerrou a sessão desta terça-feira a perder 1,16%, para se fixar nos 25.410,03 pontos, e o Standard & Poor’s 500 cedeu 0,94% para 2.753,50 pontos.

 

O tecnológico Nasdaq Composite, por seu lado, recuou 1,23% para 7.330,35 pontos.

 

Jerome Powel, o novo presidente da Reserva Federal (Fed), disse hoje perante o Congresso norte-americano que considera que a melhor forma de responder à actual conjuntura é prosseguir a política de subida gradual dos juros nos EUA. Mesmo que o contexto seja de um crescimento económico forte e de um aumento dos preços no consumidor [a Fed espera que a inflação no país suba e atinja a sua meta de 2% até ao final do ano].

 

No entanto, pelo meio, Powell deixou no ar a possibilidade de até reforçar a normalização da política monetária.

 

Estes comentários intensificaram as apostas de que o banco central dos Estados Unidos poderá aumentar os juros quatro vezes este ano – e não três, como antecipou em Dezembro passado.

 

Espera-se, aliás, que na reunião de Março seja já decidida uma subida da taxa dos fundos federais.

 

O facto de Powell ter falado em "mais aumentos graduais" foi ao encontro do que já tinha sido divulgado na semana passada, aquando da divulgação das actas da reunião de 30 e 31 de Janeiro da Fed.

 

"A maioria dos participantes notou que o outlook mais robusto para o crescimento económico aumentou a probabilidade de um reforço gradual do endurecimento da política monetária", revelaram as actas da referida reunião, a última presidida por Janet Yellen.

 

"Ele disse que a economia está a ficar mais robusta, o que, subtilmente, deu a indicação de que irá elevar a sua projecção pessoal para quatro subidas dos juros este ano", comentou à Reuters o principal estratega da Jones Trading, Michael O’Rourke.

 

Uma vez mais, esta possibilidade de um reforço da subida dos juros levou a que os juros das obrigações norte-americanas do Tesouro aumentassem, o que também desvia os investidores do mercado accionista para o mercado da dívida.

 

Em destaque na sessão de hoje esteve também a Comcast, que encerrou a cair 7,38% para 36,66 dólares, tendo sido uma das cotadas que mais penalizou o S&P 500 – a par, por arrasto, da Walt Disney (-4,49%) e da Twenty-First Century Fox (-3,04%).

 

A norte-americana Comcast avançou com uma oferta em dinheiro para comprar a britânica Sky plc, numa operação que concorre com a Century Fox e a Walt Disney, que já controlam 39% da maior operadora de televisão paga do Reino Unido.

 

A Sky esteve a disparar em bolsa depois de conhecida esta oferta, tendo chegado a escalar para o valor mais elevado em perto de 18 anos ao disparar 20,5%.

 

Pela positiva sobressaiu a Macy’s, que avançou 3,54% para 28,40 dólares, depois de a maior loja departamental dos EUA ter reportado um crescimento das vendas no quarto trimestre que ficou acima das expectativas.




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