Obrigações Prémio de risco de Portugal em mínimos de 2010

Prémio de risco de Portugal em mínimos de 2010

O BCE abriu a porta a uma retirada de estímulos mais célere do que o que está a ser antecipado. E isso está a condicionar a negociação no mercado de dívida. As taxas de juro de Portugal estão a descer ligeiramente, ao mesmo tempo que os juros da Alemanha estão a subir, o que reduz o prémio de risco da dívida nacional.
Prémio de risco de Portugal em mínimos de 2010
Sara Antunes 11 de janeiro de 2018 às 16:04

O Banco Central Europeu (BCE) poderá acelerar a retirada de estímulos à economia, de acordo com os relatos da última reunião, publicados esta quinta-feira, 11 de Janeiro. Esta perspectiva está a condicionar a negociação nos mercados. O euro está a subir e os juros estão a ter comportamentos distintos dependendo do país.

 

No caso de Portugal a tendência é de queda ligeira, com a taxa de juro associada à dívida a 10 anos a recuar 1,5 pontos base para 1,827%, negociando assim próximo de mínimos de Abril de 2015, atingidos a 18 de Dezembro, quando a "yield" tocou nos 1,729%.

 

Em sentido contrário seguem os juros da Alemanha, com a taxa a subir 4,2 pontos base para 0,747%, atingindo um máximo de Julho do ano passado.

 

Esta evolução em sentido oposto está a reduzir o prémio de risco de Portugal para cerca de 124 pontos base, o que corresponde ao valor mais baixo desde Abril de 2010.

 

Apesar de ser este o indicador mais importante, não é apenas contra a dívida alemã que se verifica este alívio. O "spread" da dívida portuguesa está em mínimos de Março de 2010 face à dívida espanhola e em mínimos de Dezembro de 2009 contra a dívida italiana.

 

A justificar este comportamento está essencialmente a divulgação dos relatos da última reunião do BCE. Os responsáveis da autoridade monetária mostraram abertura para, ao longo deste ano, ajustar a sua comunicação com o mercado para sinalizar uma retirada dos estímulos monetários de forma mais célere do que o previsto actualmente. Nos relatos da reunião de Dezembro do BCE, o conselho do banco central (comissão executiva e governadores) diz que entre os responsáveis do banco central é "amplamente partilhada" a ideia de que a comunicação terá de evoluir ao longo do ano em linha as perspectivas para o crescimento e a inflação.

 

Já ontem, o prémio de risco tinha atingido um mínimo, essencialmente devido à especulação em torno de mudanças de políticas monetárias um pouco por todo o mundo. Isto porque o Banco do Japão surpreendeu os investidores ao anunciar uma redução do programa de compra de activos. A contribuir para a especulação estiveram também notícias que revelavam que as autoridades chinesas estavam a recomendar um corte na compra de dívida americana, algo que entretanto foi desmentido.