Câmbios Quanto vale um kwanza? Pouco. E ainda menos no mercado paralelo

Quanto vale um kwanza? Pouco. E ainda menos no mercado paralelo

A forte descida das cotações do petróleo tem vindo a pesar nas contas públicas angolanas, levando o país a desvalorizar a sua moeda. O kwanza ruma ao oitavo ano consecutivo de quedas.
Quanto vale um kwanza? Pouco. E ainda menos no mercado paralelo
Reuters
Paulo Moutinho Rui Barroso 06 de abril de 2016 às 17:23

Com as contas públicas cada vez mais apertadas fruto da quebra das receitas do petróleo, Angola tem-se socorrido, ao longo dos últimos anos, da capacidade de desvalorizar a sua divisa. O kwanza tem caído consecutivamente, encolhendo para metade numa década. Vale cada vez menos, mas ainda tem menor valor no mercado paralelo.

O preço da matéria-prima afundou nos últimos anos. De mais de uma centena de dólares passou para poucas dezenas, chegando a 26,05 dólares no início de Fevereiro – está, agora, nos 37 dólares. Uma quebra que tem colocado pressão nas contas públicas, levando Angola a baixar o valor da divisa.


Este contexto criou uma percepção de risco crescente sobre o país – levou as agências de "rating" a cortarem notações que já eram de "lixo" – tornando mais difícil o acesso a financiamento. Com a tensão a aumentar, a fuga de capitais tornou-se uma realidade, afundando ainda mais a moeda que, actualmente, vale 0,0061 dólares. Ou seja, um dólar compra 163,93 kwanzas.


A moeda perdeu 23,7% do seu valor em 2015, a maior queda anual desde 2003. Este ano acumula já uma descida de 17,57%, rumando ao oitavo ano consecutivo de quedas, o que forçou à intervenção do Banco Nacional de Angola (BNA). Em 2006, há dez anos, um dólar comprava 80 kwanzas, ou seja, metade do que compra actualmente.


O BNA apertou, recentemente, as condições de acesso a divisas estrangeiras, numa altura em que a taxa de câmbio no mercado paralelo chegava quase ao dobro da oficial: eram necessários 280 kwanzas para comprar um dólar. A decisão foi uma forma de proteger as reservas, numa tentativa de manter uma linha de segurança para fazer face aos compromissos externos e para cobrir os custos com importações.


Esta estratégia, num contexto de manutenção de preços baixos do petróleo (inferiores aos 45 dólares inscritos no orçamento), não evitou, no entanto, que o país tivesse de recorrer a ajuda externa, pedido que foi formalizado esta quarta-feira, 6 de Abril, ao Fundo Monetário Internacional.




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