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Quebra na Polónia surpreende analistas e empurra Jerónimo Martins para queda de 7%

A Jerónimo Martins apresentou resultados que ficaram aquém do antecipado pelos analistas. O ambiente na Polónia foi o que mais prejudicou as contas.

Miguel Baltazar/Negócios
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As acções da Jerónimo Martins seguem em queda acentuada na Bolsa de Lisboa, com os investidores a reagirem mal aos resultados apresentados na terça-feira, 25 de Fevereiro. Apesar do crescimento de 6% dos lucros, os analistas ficaram negativamente surpreendidos pelos números reportados, nomeadamente no que diz respeito às operações na Polónia.

 

Em bolsa, os títulos da companhia liderada por Pedro Soares dos Santos (na foto) seguem a recuar 5,42% para os 12,305 euros. Já estiveram a deslizar mais de 7%, altura em que tocaram nos 12,07 euros, o preço mais baixo desde o início do mês (a 4 de Fevereiro tocaram nos 12,02 euros durante breves momentos). A empresa está avaliada em 7.743,5 milhões de euros ao preço actual. No ano passado, a Jerónimo Martins chegou a valer mais de 18 euros por acção.

 

O JPMorgan Cazenove, em reacção à “descida abrupta da margem” nos supermercados Biedronka na Polónia, cortou as estimativas de resultados para 2014 e reduziu 20% do preço-alvo, decisão que estará a pesar na reacção dos investidores.

 

Corte de 20% no target

 

Para o analista Jaime Vazquez, do JPMorgan, as margens da marca Biedronka “caíram intensamente no quarto trimestre, 115 pontos base, para 7,3%, o que compara com a nossa estimativa de uma quebra de 50 pontos base [para 7,9%], no cenário mais pessimista”. Esta diminuição da margem operacional na Polónia foi justificada pelos investimentos na política de preços (para manter o posicionamento), pelas aberturas de lojas, pelo menor crescimento em termos de vendas comparáveis e ainda pelas menores vendas no período natalício.

 

A menor margem no mercado polaco levou a que o preço-alvo do JPMorgan Cazenove para a dona dos supermercados Pingo Doce fosse reduzido de 15 para 12 euros, uma contracção de 20%. Para essa decisão do especialista contribuiu, ainda, o corte nas estimativas de resultados, nomeadamente na margem de EBITDA do grupo, de 7,8% para 7,3%. Em 2013, a margem de EBITDA do grupo reportada ontem foi de 6,6%, abaixo dos 6,9% homólogos. O resultado operacional foi de 777 milhões de euros, um avanço de 5% em relação ao ano passado.

 

A unidade de investimento do BPI, que mantém o preço-alvo de 17,7 euros para a empresa, fala num “conjunto de resultados neutral a negativo”. Sublinhando a margem aquém do previsto, os analistas José Rito e Bruno Bessa comentam que o “pior desempenho operacional foi compensado por um melhor do que o esperado contributo da unidade industrial”. O resultado líquido apresentado pela Jerónimo foi de 382,3 milhões de euros em 2013, um crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior.

 

O capex (investimento) fixou-se em 540 milhões de euros no ano passado, abaixo dos 601 milhões previstos. “Devemos rever em baixa as perspectivas de capex, actualmente em 760 milhões de euros para 2014”, segundo o BPI Equity Research. O grupo pretende investir, este ano, “no intervalo entre 600 e 700 milhões de euros”.

 

Polónia poderá dar sinais de estabilização

 

A Polónia é apontada por todas as casas de investimento como a surpresa negativa. “A dinâmica da actividade na Polónia (o foco dos resultados) continua a evidenciar a pressão inerente ao ambiente competitivo em que actualmente opera”, comenta também o analista André Rodrigues, da unidade de investimento do CaixaBI.


“Acreditamos que deverá ganhar espaço uma perspectiva negativa sobre a cotada”, dizem os especialistas do BPI Equity Research. Embora admitindo a pressão sobre o preço, há sinais de que se poderá inverter a tendência. O desempenho da Jerónimo Martins aquém dos pares deverá permanecer negativo “até que se comecem a ver alguns sinais de estabilização da concorrência na Polónia, através da melhoria das vendas comparáveis e das margens”.

 

Neste aspecto, o CaixaBI antecipa que tal poderá ocorrer já na segunda metade do ano. Analisando as vendas a retalho na Polónia em Janeiro (que não entraram nas contas do ano passado), com um crescimento de 7,5% no sector, o analista André Rodrigues antecipa uma “visão positiva para a Biedronka, num contexto em que o crescimento das vendas ‘like-for-like’ [comparáveis] poderá acelerar no segundo semestre de 2014 (potencial melhoria competitiva do mercado de retalho e aceleração da economia polaca)”.

 

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de "research" emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de "research" na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

 

(Notícia actualizada às 9h45 com mais informações)

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