Bolsa Queda da procura leva bolsas de criptomoeda a práticas polémicas

Queda da procura leva bolsas de criptomoeda a práticas polémicas

Com a queda do volume de transacções de moedas digitais, algumas das maiores bolsas de criptomoedas estão a ter práticas pouco ortodoxas para impulsionar a actividade e conquistar participação no mercado.
Queda da procura leva bolsas de criptomoeda a práticas polémicas
Bloomberg
Bloomberg 16 de setembro de 2018 às 14:00

Bitfinex, FCoin e OKex estão a incentivar start-ups a direccionar os depositantes para as suas plataformas de negociação online para listar moedas. Outras bolsas, como Binance e KuCoin, estão a adoptar taxas de cotações que podem ser diferentes consoante os projectos. Muitas bolsas também estão a lançar as suas próprias "moedas nativas", que os traders usam para votar em potenciais estreias em bolsa.

 

Estas práticas contrastam com as das bolsas tradicionais, que cobram taxas fixas mais baixas e não exigem que os emissores direccionem tráfego para a bolsa.

 

A adopção destas práticas inusitadas acontece num momento em que as bolsas de criptomoedas lidam com as consequências da queda de preços que abalou o mercado de moedas digitais, que despencaram em média 50%. O volume de negociação caiu 80% desde o pico registado em Janeiro, segundo dados da CoinMarketCap.com. E os novos tipos de moedas e bolsas, que alegam ser mais baratas e fáceis de usar, podem abalar ainda mais a receita de taxas.

 

"A desaceleração do mercado com certeza contribuiu para que emissores de moedas e bolsas passem a adoptar mais estratégias pouco ortodoxas", disse Lucas Nuzzi, director de análise sobre tecnologia da Digital Asset Research.

 

Para os emissores de moedas que procuram exposição aos investidores, essas práticas podem gerar confusão. Christopher Franko, co-fundador da start-up de blockchain Expanse, que tem sede em Washington, na Carolina do Norte, disse que a KuCoin cobraria uma taxa de listagem de 50 bitcoins - cerca de 315.000 dólares na cotação actual. A Expanse desistiu de cotar na bolsa.

 

"Temos condições de pagar essa taxa, mas isso não justifica os meios", disse Franko, em entrevista telefónica. "Muitas start-ups preferem investir essas quantias em pesquisa, desenvolvimento e marketing."

 

O porta-voz da KuCoin refutou a taxa de listagem de 50 bitcoins e disse que os seus preços variam de acordo com a start-up. A bolsa não divulga os preços. "A taxa de listagem não é o principal factor para a listagem de um projecto, é o projecto em si", revelou o porta-voz Miles Wu.

 

Pode ser difícil determinar as taxas das bolsas de criptomoedas com antecedência, e duas start-ups do mesmo porte que se candidatarem a uma listagem na mesma bolsa podem ter de pagar taxas diferentes. Em contraste, a Nasdaq cobra 50.000 dólares para listar uma empresa com até 15 milhões de acções e 225.000 dólares para listar uma empresa com mais de 100 milhões de acções.

 

A motivação por trás dessas medidas incomuns é bastante evidente. As taxas contribuíram com cerca de mil milhões de dólares para a receita das bolsas até agora, de acordo com Lex Sokolin, da Autonomous Research. Os preços de listagem em algumas bolsas na Ásia chegaram a um milhão de dólares, de acordo com Michael Jackson, sócio da Mangrove Capital Partners.

 

Mas tais práticas representam um sinal de perigo para os analistas do sector, especialmente porque muitas bolsas de criptomoedas funcionam como mercado, corrector, responsável pela custódia e até mesmo detentor de activos - papéis que costumam estar separados na estrutura do mercado financeiro tradicional.

 

(Texto original: Crypto Exchanges Embrace Controversial Practices as Demand Eases)