Mercados Queda do petróleo e detenção da CFO da Huawei provocam fortes perdas em Wall Street

Queda do petróleo e detenção da CFO da Huawei provocam fortes perdas em Wall Street

Depois de um dia de pausa, as bolsas norte-americanas abriram em terreno negativo. Os ventos negativos na relação entre a China e os EUA e a queda do petróleo estão a pressionar Wall Street.
Queda do petróleo e detenção da CFO da Huawei provocam fortes perdas em Wall Street
Reuters
Tiago Varzim 06 de dezembro de 2018 às 14:37
A CFO (administradora financeira) da Huawei e filha do fundador da tecnológica chinesa, Meng Wanzhou, foi detida no Canadá por suspeitas de violação das sanções impostas pelos EUA ao Irão, o que está a pressionar os mercados financeiros. Wall Street também abriu em queda esta quinta-feira, 6 de Novembro, após as bolsas europeias terem atingido um mínimo de dois anos

As bolsas abriram hoje depois de um dia de paragem devido às cerimónias fúnebres do ex-presidente norte-americano George H. W. Bush. O Dow Jones perde 3,1% para os 24.603,43 pontos, o S&P 500 cede 1,66% para os 2.655,20 pontos e o Nasdaq desliza 1,94% para os 7.019,16 pontos. Esta é a segunda sessão consecutiva de quedas destes três índices.  

A notícia da detenção parece ter desencadeado um sentimento negativo nos mercados ao intensificar as dúvidas à volta das tréguas entre os EUA e a China. Depois de ter sido anunciado os 90 dias de 'paz comercial', as bolsas dispararam, mas as incertezas começaram a pressionar a negociação logo de seguida. Um tweet de Donald Trump a dizer que continuava a ser o "homem das tarifas" piorou a situação, mas as autoridades chinesas vieram reiterar o seu empenho na aplicação dos vários acordos com os EUA. 

Acresce que o mercado petrolífero também está a registar quedas superiores a 2% em antecipação da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), depois da Arábia Saudita ter dito que propõe uma redução da produção mais baixa do que se esperava. Anteriormente, o mercado estimava uma acção concertada de maior dimensão para travar a descida recente da matéria-prima nos mercados.

Antes da abertura dos mercados, foi revelado que a economia norte-americana somou mais 179 mil empregos no sector privado em Novembro, notando-se um abrandamento. O departamento do Trabalho dos EUA revelou ainda que os novos pedidos de subsídio de desemprego baixaram para 231 mil na semana passada. E, de acordo com o gabinete de estatística norte-americano, a produtividade dos EUA aumentou 2,3% no terceiro trimestre.

Além disso, os números do comércio internacional divulgados também hoje pelo gabinete de estatística norte-americano mostram que o défice comercial dos EUA aumentou 1,7% para os 55,5 mil milhões de dólares em Outubro, o nível mais elevado desde Outubro de 2008. Os dados sugerem que, para já, as estratégias implementadas por Donald Trump para reequilibrar as trocas comerciais não estarão a resultar.



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